Sobre o livro
“A Guerra e o Futuro”, no original “The War and the Future (1944)” é um ensaio político-moral escrito por Thomas Mann no exílio, durante a Segunda Guerra Mundial, dirigido sobretudo ao público anglo-americano. Esse é o texto de um discurso proferido pelo Dr.
Mann no Auditório Coolidge, na Biblioteca do Congresso Americano, na noite de 13 de outubro de 1943. Nele, Mann sustenta que a guerra não é apenas um confronto militar, mas uma crise profunda da civilização europeia, especialmente da Alemanha.
O nazismo aparece como resultado de tendências culturais de longa duração, culto à irracionalidade, ao mito, à autoridade e ao heroísmo trágico, e não como um simples desvio histórico acidental.
Mann faz uma autocrítica severa da tradição cultural alemã, apontando o perigo de separar grandeza espiritual de responsabilidade ética.
Ele associa o colapso moral que levou à guerra a certos excessos do romantismo alemão e a leituras irresponsáveis de Nietzsche e Wagner, que teriam favorecido uma visão estética e fatalista da política. A guerra, nesse sentido, funciona como um julgamento moral dessa herança cultural.
A Alemanha, para ele, só poderá se reintegrar ao mundo ao abandonar o nacionalismo messiânico e aceitar a democracia como valor moral, não apenas como forma de governo. Nova tradução para o português realizada com base direta no texto da Biblioteca do Congresso Americano.
Notas de tradução no texto, indicadas por (, NT).
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