A Geração Criada pelo TikTok e pela Solidão (INTELIGENCIA ARTIFICIAL (IA))

Por Luis Tejada

Sobre o livro

«Quando a infância virou scroll»

Houve um tempo, não muito distante, em que as crianças corriam atrás de uma bola, se escondiam atrás das árvores, faziam casinhas de papelão e acreditavam que monstros viviam debaixo da cama. Tinham medo do escuro, não dos comentários. Choravam por causa de um machucado, não por não ter curtidas suficientes. Seu mundo era pequeno, mas imenso em imaginação. Hoje, esse tempo parece estar se desfazendo.

Vivemos uma transformação silenciosa, porém profunda. Em menos de uma década, as telas deixaram de ser ferramentas para se tornarem ambientes. Não é que as crianças usem redes sociais: é que estão crescendo dentro delas. Aprendem a falar imitando youtubers. Descobrem o amor por meio de memes. Constroem sua autoestima com filtros. E, quando algo dói, não procuram consolo em um abraço, mas sim em uma notificação.

Este livro nasce do assombro — e também do medo — de ver como a infância está sendo moldada por algoritmos que não conhecem o amor nem a empatia. Não se trata de tecnologia “má” nem de nostalgia vazia. Não é um panfleto moral. É uma busca. Uma tentativa de entender o que está acontecendo quando uma geração aprende a se enxergar primeiro por meio de uma câmera frontal.

Ouvi pais que já não sabem como conversar com seus filhos. Professores que não conseguem mais manter a atenção em sala de aula. Crianças que não entendem quem são se não estiverem conectadas. E senti, mais de uma vez, que estamos perdendo algo essencial. Algo que nenhum aplicativo pode devolver.

“Crianças sem rede” não pretende dar respostas definitivas, mas sim abrir perguntas urgentes.

O que estamos deixando de ensinar quando tudo é substituído por uma tela?

O que perde uma sociedade que entrega a formação emocional de seus filhos ao entretenimento digital? É possível recuperar o brincar, a pausa, a ternura?

Tomara que este livro não seja apenas lido. Tomara que ele convide a olhar com mais profundidade, a conversar com mais tempo, a acompanhar com mais presença.

Porque a infância — a real, a que não é gravada — ainda precisa de nós.

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