A Fortuna Desaforada de Quinzão de Castro
Por José Humberto da Silva HenriquesSobre o livro
Romance que perfaz a agonia de gerações e o drama imposto pela herança que seria um dia destinada a uns poucos. Trata-se de uma novela exemplar.
Quando se fala em novela como gênero literário e não como estas nocividades comumente exibidas em alguns canais de televisão, estamos dizendo da responsabilidade comum e notória sobre a estética e sobre a Literatura.
Esse romance, diríamos assim, A Fortuna desaforada de Quinzão de Castro, livro independente, mas que se ajunta a outros de seu naipe e correlação, para formar uma das peças mais surpreendentes de toda a Literatura Universal.
Esse elenco se faz com esses volumes, O Quadrado da Palavra de Abdala Taiaégua Certos Sigilos da Rua Krüger, Perfídia e Uno Tango e Trovões Nascidos ao Norte, todos eles capazes de sobreviver de maneira independente, mas que se ajuntados ao longo de sua dissertação e entrecho, poderiam fazer esta novela, conforme foi dito, de uma maneira magistral.
Esse texto tem temática urbana e é extremamente instigante porque faz um giro por uma cidade fictícia, mas que poderia ter em Uberaba, se bem pensado, o arquétipo para tamanha dança de existências. Todas as personagens nos dão a alegria de uma conjuntura estilizada e nada banal.
Quando se percebe o todo desse livro, a história poderia ser acontecida em qualquer ponto do planeta. Sendo assim, a transposição poderia ser muito fácil para qualquer sítio imaginado ou imaginário.
Porque, trata-se de um tremendo estudo introspectivo da alma humana, sentimentos que giram e se somam de maneira alternada. E sempre presente.
Quinzão de castro, o patriarca e dono desta fortuna que dá o título ao livro, porém, acompanha o desenvolvimento urbano e das terras que envolvem a sua cidade, todas de sua propriedade, com uma indiferença capaz de matar cachorro doido.
Todos que conhecem a personagem olham em sua direção, ditam em si mesmas as figuras circunstantes as suas vontades e seu desejo de possuir aquele pedaço que comporia já uma realidade de valor ponderável.
Mas isso não é assim, esse desejo não dá poder porque tudo está em mãos e sob domínio do grande avarento – fama que conquistou ao longo de sua marcha sobre a terra, o senhor Quinzão de Castro.
Homem relativamente comum em todo território nacional, aquele tipo que se assenhorou de terrenos nos bairros e esperou que tivessem seu valor decretado à medida que a cidade vai se estendendo em todas as direções.
Aquilo fica ali, em repouso, ninguém mexe porque os documentos são propriedade de Quinzão. Ele não tem a menor pressa.
Tem como sobreviver e muito bem sem meter em lances ou na berlinda os terrenos, lotes e edifícios que vai acumulando, como se aquilo fosse uma grande coleção de brinquedos alvissareiros. Emblemático, Quinzão de Castro é visto pelos olhos de um sobrinho folgazão que espera herdar dele.
Assim se inicia o romance: Com a camisa listrada, em fios finos, como combina demais a flor do amarelo com a pecha do rosado, atravessava a avenida Rui Barbosa, ou seja lá que nome tinha, que nesse país sempre tem um Getúlio Vargas e um Rui dando nomes às Haias de um tempo presente, que os regram todo o passado, a camisa listrada e um modo de quem tem muitas coisas e nenhuma delas para ser executada sob a forma de uma colherada de certa pressa.
O dia com suas lições de amenidade para quem está sossegado em vida, como se diz, quem não sente fome ou sede sempre está ao alcance de mais glórias e pode ser alcançado por elas.
Essa mostra, somente para se ter a conclusão de como se habilita o sobrinho dentro desse mundo, narrativa feita toda em primeira pessoa do singular, a finalidade precípua de demonstrar que a esperança de desfrutar da fortuna do tio é sempre uma interrogação permanente.
Porque, a dizer o certo, o homem era duro na queda e não se finava. Quinzão de Castro é daquelas personagens emblemáticas e eternas.
Com esses termos sendo exibidos – como está revelado no pequeno trecho acima, retirado na íntegra do romance -, a forma sempre extraordinária de
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