Sobre o livro
No coração do sertão brasileiro, existe um tipo de estrada que não aparece nos mapas. Uma trilha que dobra o tempo, estica o espaço, repete vozes mortas e devolve sombras tortas. O povo chama de vereda — mas ninguém fala disso em voz alta.
Em dez contos independentes, porém conectados, caminhoneiros, cangaceiros, beatos, vaqueiros, soldados e tropeiros atravessam caminhos onde o mundo parece falhar: o segundo repete, a distância aumenta, o som volta errado, a sombra não acompanha — e algo ronda, esperando quem pisa no lugar errado na hora errada.
De 1911 a 1938, das caatingas da Bahia ao Cariri cearense, cada história revela um tipo diferente de assombro sertanejo: — ecos que imitam gente viva, — sombras que caminham sozinhas, — estradas que engolem o tempo, — feras que rodeiam em silêncio, — e um sertão que escolhe quem fica.
Não há monstros definidos. Não há magia explicada. Há só o que o sertão revela quando resolve não esconder mais nada.
A Estrada que Engole Homens é terror histórico enraizado no Nordeste: brutal, seco, cheio de silêncio e poeira. Cada conto funciona sozinho, mas juntos constroem uma presença maior, antiga e paciente — algo que observa tudo no fundo das veredas.
Quem entra… nem sempre volta inteiro. Quem volta… nunca volta igual.
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