Sobre o livro
Ambientado na periferia de Curitiba, o conto narra o encontro inesperado entre Dona Eulália dos Santos, uma mulher negra marcada por décadas de solidão e racismo internalizado, e Jaqueline, jovem funcionária do Censo do IBGE, cuja presença firme e empoderada rompe silenciosamente o automatismo da dor.
Entre um café passado sem pressa, páginas escritas como refúgio e a ausência simbólica de espelhos, a narrativa revela como violências antigas — ensinadas ainda na infância, sob a máscara da fé e da autoridade — moldaram o olhar de Eulália sobre si mesma.
Jaqueline, com suas tranças, escuta atenta e dignidade tranquila, não surge como salvadora, mas como espelho possível: alguém que existe inteira e, por isso, devolve à outra a chance de se reconhecer.
Com escrita delicada e potente, o conto aborda temas como racismo estrutural, autoestima, memória e pertencimento, explorando a transformação que nasce do afeto, da escuta e do reconhecimento da própria voz. Um retrato íntimo sobre como pequenos encontros podem reescrever histórias inteiras — começando pelo modo como alguém aprende, enfim, a se olhar.
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