Sobre o livro
“A Cadeira” é uma peça que conta a história de uma família muito pobre, que não possui quase nenhuma mobília, senão uma TV, e um fogão. Sequer geladeira eles têm, porque, também, eles não têm nada pra comer. Ou comem nada. Parece que vivem de brisa.
Mas, um dia, o pai traz uma cadeira para dentro de casa. Objeto este que sequer a família (mãe e filhos) conheciam, senão por terem visto na TV. Mas como na TV as cadeiras eram diferentes daquela cadeira, eles continuaram sem conhecer direito o que é uma cadeira, e a estranhar aquele objeto.
Por ser estranho, e também por oferecer algum conforto, sendo praticamente o único móvel da casa, e o único lugar para sentar que seja o chão, a cadeira acaba por se tornar um símbolo de poder. O pai trouxe a cadeira para ele, e para mais ninguém.
Os outros, a mãe e os filhos, um menino e uma menina, poderão até sentar nela, quando ele não estiver em casa, ou quando ele deixar, ou, então, quando ele as deixa de castigo, mas a cadeira será dele.
O resultado é que, por meio da cadeira, as relações entre os membros desta família, que já eram violentas, desde o início, seja nas brincadeiras das crianças, seja na forma como a mãe e o pai tratam os filhos, se tornam mais intensas devido à entrada da cadeira em cena.
As relações de poder entre pai e mãe, mãe e filhos, pai e filhos e irmão e irmã vão se revelando com lirismo e violência, e, algumas vezes de forma cômica e inusitada.
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