112 Cães e Uma Raposa

Por José Humberto da Silva Henriques

Sobre o livro

Livro de poesias estruturado sobre o conhecimento profundo de filologia e gramática referentes ao vernáculo.

Esse é o verdadeiro livro de caráter expressionista que tem sido atribuído a alguns escritores; ultimamente esse caráter impressionista é jogado em torno da obra de Henriques de uma maneira repetida. Talvez seja deveras uma escrita com modos de Jules Laforgue.

E creio mesmo que esta relação entre as duas obras possa ser demonstrada de uma maneira exequível. Porém, a mim não cabe fazer isso porque meu tempo é curto para tanto. E minha responsabilidade sobre o fato não chega a ser assim tão redentora.

Ficou a mim atribuído o serviço de fazer a apresentação dos livros de Henriques. Tenho feito isso da maneira que julgo mais inteligente e pragmática.

Como não disponho do tempo do acadêmico e estamos a considerar a volumosa produção de quase 370 compêndios em diversos gêneros, resolvi fazer esse labor de uma maneira consciente e planejada, envolvendo sempre p autor nesse mister. É preciso que seja assim. Não há outra forma.

Se fosse me abalizar em analisar e ler toda a sua obra, isso me seria um trabalho infernal. E hercúleo. Hercúleo porque o volume é grande em demasia. E infernal porque sempre tentei fazer da melhor maneira possível tudo que me coube e não seria agora que eu mudaria o meu modo de exercer triunfos.

Se fiz o compromisso, o resultado teria que ser mesmo o mais promissor e elegante possível.

Então, melhor seria saber quais as razões de haver um título como esse para um livro de poesias. Um título deveras emblemático, porquanto seja também enigmático. Humberto Henriques me disse que 112 Cães e uma Raposa é um titulo memorioso.

Que havia no Brasil na década de 1960 a 1970 muitas gravuras que representavam os nobres ingleses montados em seus cavalos, muitos cães de orelhas caída a perseguir uma raposa que não aparecia na gravura. E as vestimentas das mulheres eram altamente emblemáticas.

Segundo ele, mesmo na caia do Chapéu ramenzzoni havia uma representação dessas.

Henriques, de família tradicional, lembra-se de ver sobre o guarda-roupa do avô o seu par de botas de caça, feita com couro de veado mateiro, o mais resistente que há, e ao lado das botas, a caixa do chapéu, redonda, bonita, com os motivos coloridos e selecionados. Caça à raposa.

Essas coisas miúdas acabam por se tornar gigantescas quando estão na berlinda do tempo e na consolidação de um mundo que existiu e que está de novo prestes a explodir. É assim que a situação da memória se torna excepcional.

Cremos mesmo que esse tipo de comportamento o escritor e da sua escrita traduz muito a figura drummondiana. Aquela que existiu de uma maneira inequívoca dentro dos céus e solos de Itabira do Mato Dentro.

Não que estas duas poesias possam ser comparadas, cada um com seu estilo e sua capacidade de realização. O que faz das duas estas linhas de diferenças é principalmente o uso do computador como recurso de técnica exploratória para a poesia experimenta.

Nos tempos de Drummond não havia esta ferramenta disponível para uso doméstico. Então, a diferença teria que ser mesmo na base da tecnologia. Isso nem é assunto que mereça ser discutido.

Porém, quando Drummond mostra as esporas de seus ancestrais, a arreata, o pano de limpar cu dependurado na parede da privada caseira e de quintal, todas essas coisas que fazem do mundo um arquétipo dos dias ibéricos, está a purificar a alma e o espírito desses cavalheiros que um dia souberam ver numa caixa de chapéu 112 cães e uma raposa.

De qualquer esse livro é exponencial e uma obra-prima da poesia universal. É preciso ler e reler para entender isso.

Poemas sólidos, sintéticos, enxutos, colocados em blocos com um número fixo de poemas por bloco. Assim tem feito Humberto Henriques desde que aboliu os títulos de seus poemas. Esse livro não foge à regra. O título, mais uma vez curioso em demasia, impulsiona o leitor à leitura ou à busca de conhecer o conteúdo desse universo fascinante. E para dizer a verdade,

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