VOU DEIXAR A RUA ME LEVAR: Histórias de 2000 km de caminhadas de uma andarilha fotógrafa nas ruas de uma cidade

Por Coca Eastwood

Sobre o livro

Este livro conta as histórias de 2000 quilômetros de caminhadas ao longo de sete anos pela cidade de Curitiba, capital do estado do Paraná na região sul do Brasil. É Curitiba, mas serve para qualquer lugar. As caminhadas foram por 41 bairros dos 75 que a cidade tem.

Tudo que foi visto foi fotografado, gerando um acervo de 50 mil imagens. Depois de uma árdua tarefa, selecionei 2000 fotos e tratei com arte digital. Dessas imagens, 895 estão publicadas neste livro ilustrando o texto. ​Levei sete anos para chegar até aqui.

Foi um processo bem longo de escrever e de retratar uma cidade. Já passei da metade e vou fazer ela inteira. Eu quero ver o que mais ela tem para mostrar, o que ela esconde e o que mais vou aprender. ​Falo em aprender, porque as minhas caminhadas me ensinaram muito.

Não só como a cidade é, mas como ela é tratada pelos prefeitos, que se revezam em mandatos de quatro ou oito anos e adotam posturas bem diferentes na administração do município.

Aprendi que todas as artes de rua têm um significado, seja o grafite pintado no muro autorizado, seja o picho estudado, pensado e colocado, com risco de vida, no andar mais alto daquele prédio ou em qualquer lugar abandonado, ou não. É o grito da periferia da cidade que também lhe pertence.

​Aprendi que educar o cidadão é ensinar cidadania a ele, e na periferia isso quase não existe. E não é por culpa deles, é por culpa da gestão, ou falta de gestão. ​Aprendi que não existem casas velhas, que elas são documentos da nossa história. Que uma rua estreita sempre tem um significado.

Que passear em shoppings é enjoativo, o maravilhoso é passear na rua. ​E vou seguir por mais alguns anos vendo se a cultura da cidade vai mudar, se vão implantar mecanismos para imóveis abandonados, porque isso é um problema cultural.

É uma agressão à paisagem e à história da cidade e poucos pensam assim. ​A educação e a cultura são tudo. Se não mudarem as cabeças, a sociedade não vai mudar e a cidade vai se deteriorar mais.

Essa mudança só vai acontecer se houver primeiro uma compreensão das pessoas para depois agir e transformar. Não pode ter aí nem um pouco de egoísmo. Tem que ser uma causa, e grande, e abraçar com um grande abraço a cidade toda.

​Nas minhas caminhadas pela cidade, eu fiz a observação do outro e do que muitas pessoas não veem. Eu vi a cidade como gente, com vida mesmo nas partes mortas, e que ela fala, grita, ri, chora e pede socorro.

Enfim, é um livro para se pensar uma cidade, as suas memórias, seus erros e acertos, uma mistura de tudo, de memórias e de ciências humanas.

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