VITIMOLOGIA E FEMINICÍDIO: As raízes da violência e os papéis executados pelos protagonistas do drama doméstico e familiar

Por Otávio Augusto de Moura Hoeser

Sobre o livro

O que leva uma mulher a se tornar vítima fatal do próprio companheiro? O que a leva a ser tantas vezes agredida: físicamente, sexualmente, financeiramente, psicologicamente e até mesmo morta por uma pessoa que deveria a amar, a proteger ou, no mínimo, a respeitar? Quais são as raízes desta barbárie?

De que forma os casos de violência intrafamiliar e feminicídio têm se tornado estatísticas tão cruéis e assustadoras dentro do nosso país? Por que elas permanecem em situação de risco com o parceiro violento? Por que as leis não obstam o crime?

E como o Estado brasileiro tem agido e reagido em relação a esse cenário?

As questões levantadas são diversas.

Este trabalho de pesquisa se propõe a investigar, utilizando-se de diversas áreas do saber abarcadas dentro da Criminologia e da Vitimologia, aspectos históricos e culturais da violência brasileira, em específico aquela violência presente na esfera doméstica e familiar que afeta à mulher.

O objeto principal da investigação é o feminicídio, bem como todo o processo de vitimização anterior a ele.

Entretanto, para não chegar de maneira crua ao tema, o pesquisador faz uma interseção do assunto com alguns aspectos da violência em território nacional, abarcando questões de cunho histórico-cultural e passando por temas como o estigma da mulher, o machismo cultural, a cultura da transgressão e os papéis que desempenham vítima e agressor na dinâmica de uma relação-poder afetiva-sexual, pautada por diversos níveis de violência.

Neste diapasão, foram realizadas pesquisas envolvendo a psique da vítima e do agressor, com o escopo de tentar compreender as escolhas individuais características e fomentadoras dos eventos danosos que mergulham em direção ao feminicidio.

Sob a luz da Criminologia, da Vitimologia e de todas as ciências que lhes dão espírito (com maior destaque para a Sociologia e a Psicologia), será demonstrado que, assim como existem caminhos traçados para o delito, existem também caminhos que levam para a vitimização; caminhos traçados por mulheres dinâmicas e independentes, mas, não raro, também acompanhadas por uma psique instável e/ou emotivamente disfuncional.

Para além do casal, será abordada a responsabilidade do nosso terceiro protagonista, qual seja, o Estado, com a finalidade de compreender questões de importância ímpar relacionadas à nossa justiça, ao sistema penal e às principais leis e instituições que fazem frente aos problemas em pauta, como protegem as vítimas de crimes e como poderiam fazer melhor.

Vale sublinhar que esta pesquisa não pretende impor generalizações de nenhuma espécie; no entanto, o assunto abordado, bem como os fenômenos da vida real citados ao longo do texto apresentam dimensões intensas, individuais e subjetivas que podem servir de reflexão para quem o estiver lendo.

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