VIDA DE DOM QUIXOTE E SANCHO

Por MIGUEL DE UNAMUNO

Sobre o livro

Descrição de Vida de Dom Quixote e Sancho, de Miguel de Unamuno

A tradução ao português de Vida de Dom Quixote e Sancho, de Miguel de Una­muno, feita pelo escritor Cláudio Aguiar, em certo sentido, traz ao leitor um ar de novi­dade.

Primeiro, porque chega ao Brasil tardiamente em termos editoriais; depois, porque sendo Aguiar um espanhista conhecedor da obra unamuniana, que também viveu em Salamanca (aliás, onde se doutorou em Direito por sua vetusta universidade), a mesma urbe milenar eleita por Miguel de Unamuno como definitivo espaço vivencial e amoro­so, apesar de ter nascido em Bilbao, epicentro cultural e artístico do País Basco.

Em 1904, quando em Espanha foi comemorado o terceiro centenário do apareci­mento de O Engenhoso Fidalgo D.

Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes, Miguel de Unamuno escreveu Vida de Dom Quixote e Sancho, por muitos lida como uma espécie de biografia intelectual em homenagem às famosas personagens cervanti­nas por causa da efeméride.

No entanto, imediatamente, Unamuno recusou a referência de que seu livro fora escrito para comemorar centenário.

O que mais chama a atenção em Vida de Dom Quixote e Sancho é a singular vi­são dada por Miguel de Unamuno, sobretudo em relação a Dom Quixote de La Mancha, ao retirar de seus ombros a condição de mera personagem ficcional criada ou erigida por Miguel de Cervantes.

Defendeu exatamente o contrário: Dom Quixote foi um ente real de carne e osso.

Ora com argumentos realistas e plausíveis, ora com proclamada certeza acadêmica suficiente para deixar o leitor diante de intensa curiosidade para o deslinde de tal versão, aduz Unamuno que Cervantes apenas recebeu do historiador árabe Cide Hamete Benengeli as informações necessárias à narrativa sobre a vida do famoso cava­leiro andante.

Outro dado importante é que Miguel de Unamuno refaz em Vida de Dom Quixo­te e Sancho, capítulo por capítulo, o périplo de Dom Quixote e seu escudeiro por vá­rias comunidades de Espanha, vivendo, ele mesmo, uma espécie de internalização do espírito quixotesco, ora ampliando ou recusando aspectos mostrados por Cervantes, ora negando-os com a veemência de um cavaleiro andante.

É nítida a sensação de que te­mos dentro da história do famoso Dom Quixote um segundo Dom Quixote “salmanti­no” que bem poderia fazer par com aquele outro não menos emblemático personagem criado por Cervantes, Sansão Carrasco, bacharel por Salamanca, que andou, viu e viven­ciou quase todas as aventuras de Dom Quixote e seu escudeiro Sancho Pança.

Vida de Dom Quixote e Sancho é, portanto, obra exemplar porque leva o leitor não só a reviver os passos do famoso Dom Quixote de La Mancha e seu escudeiro San­cho por terras de Espanha, mas, também, por revelar Miguel de Unamuno como extraor­dinário escritor dotado de amplos e variados conhecimentos.

Os temas elegidos por Unamuno abarcam desde a filosofia à poesia, do prosador e narrador inigualável ao ensaista perspicaz, do historiador ao professor de grego e reitor vitalício da Universida­de de Salamanca, dono, por fim, de obra que o credencia como mestre detentor de sabe­res que lhe têm merecido o reconhecimento e o respeito no mundo inteiro.

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