Viajante de Limo

Por José Humberto da Silva Henriques

Sobre o livro

Na execução do projeto que se chamou o decálogo ou decanato Epopeya, J Humberto Henriques primou pela criação de poemas que pudessem levar ao fechamento do seu ciclo poético com chave de ouro.

A pretensão do autor era esta mesma, terminar a fase poética e dar início á elaboração dos ensaios que tanto fascinaram – pelo assunto e expansão de inteligência – a sua capacidade de verificação e analise artística, mormente a literária.

A proposta era aquela de levar avante o ensaio sobre a obra de Honoré de Balzac. Porém, houve a interlocução da continuidade e o poeta permaneceu no mesmo caminho.

A produção poética se revigorou e sugira também vários romances e novelas novos, bem como novos livros de poesia e o projeto Epopeya se esgotou e sumiu, pelo menos da forma como foi elaborado em sua etapa inicial de projeção.

Tal como proposto para todos os tomos desse título, esse aqui que agora está em causa é o volume 4, ousou o autor transformar o título para alguma palavra mais cômoda e fácil de ser digerida sob a forma de poesia. Por isso, surge Viajante de Limo. Nada nele foi modificado que não seja o título.

Trata-se do mesmo livro cheio de surpresas agradáveis, uma poesia altamente sintética e que busca a interlocução com os sistemas gráfico de escrita facilitados pelo computador. Assim, a modernidade desta poesia é garantia diante dos olhos de qualquer leitor.

E o estilo de j Humberto Henriques prevalece sobre toda as questões. Nada nesse livro se perde, todas as possibilidades poéticas são aventadas. E o trabalho surge com essa limpidez extraordinária que sempre caracterizou a obra desse escritor infatigável. Estamos a falar de obras-primas da poesia.

Em últimos tempos, devido à constante progressão da ciência e involução de certas necessidades estéticas, isso devido á manipulação de massa oferecida pelos sistemas de comunicação, a poesia tem recebido descargas negativas maciças.

Surgem os sistemas impostos pelo mau-gosto e isso repercute por todos os cantos, atinge cada vez mais seguidores e impõe o cerceamento de tudo aquilo que possa ser chamado de vívido ou estético.

Há a inserção da confusão na cabeça do populacho e isso serve como argumento de que tudo que se faz em termos de evolução da escrita deve ser relegado ao ostracismo ou ao abandono completo. Poucos poetas ainda resistem. No Brasil isso é ainda mais denso, mais sério.

A perda dos valores continua a acontecer, mesmo conforme foi previsto e comentado abertamente pelos filósofos do perdido pós-guerra e a ascensão dos regimes de imposição da porcaria está ainda numa curva ascendente que dificilmente poderá ser esbarrada.

Uma coisa é agradar com o lixo que escorre por aí. Outra coisa é elaborar qualidade que possa ter proveito para a inteligência.

A poesia, então, por ser uma necessidade não necessária para consumo, dito está que não enche barriga, acaba sendo bombardeada e o termo “poeta” chega ao extremo de ser adjetivo que se usa para todo aquele que não tem mais nome que não seja o de criatura obsoleta, irresponsável ou vagabunda.

Como um agiota sem fregueses.

Não é raro se ouvir, mesmo quando falam de profissionais liberais. Fulano é um verdadeiro poeta. Ele dá nó em pingo d’água e ainda esconde as pontas! Isso é muito comum entre rodas de médicos, quando estão a falar sobre um determinado colega que se atém ao desvio de conduta e de caráter.

E mais comum ainda entre advogados, já que entre eles é onde está o que medra no esterco. Entre eles é que está o esterco que medra na dimensão de umbrais terríveis.

Porém, aqui se fala dessa ampla gama de assuntos que acabam sendo parte da história de uma humanidade que se estabelece da forma como está se estabelecendo. Ciência, tecnologia e Artes Plásticas caminham de maneira paralela e toda história que pode ser contada resume e reúne o sarcasmo, a ironia e o descaso que o Poder exerce sobre as massas que bebem uma dose de melancolia nas tardes de maio e creem que estão ofertadas pelos néctares dos deuses.

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