Versos de Bulhão Pato

Por Raimundo António de Bulhão Pato

Sobre o livro

Lembras-te, Helena, o dia em que deixámos O teu saudoso valle, e lentamente Pela elevada encosta caminhámos? O sol do estio ardente, Já não brilhava nos frondosos ramos Do arvoredo virente.

Chegára o fim do outono: a natureza, Sem ter os mimos da estação festiva, Nem aquelle esplendor e gentileza Que tem na quadra estiva, Na languida tristeza, Na luz branda e serena D’aquelle ameno dia, Que immensa poesia, E que saudade respirava, Helena!

Subindo pelo monte, Chegámos ao casal onde habitava A tua protegida, Aquella pobre anciã que se agarrava Aos restos d’esta vida!

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