Sobre o livro
Pena que nenhum filólogo lusófono, amante do sânscrito, ousou traduzir “O Mahabharata” ou outros clássicos indianos que nos enriquecessem mais ainda com a cultura hindu, como fizeram os anglos.
Autores como o padre Sebastião Rodolfo Dalgado, natural de Goa e professor em Lisboa, ou o português Guilherme de Vasconcelos Abreu, professor de sânscrito, um dos pioneiros nos estudos sânscritos em universidades de língua portuguesa, até publicaram gramáticas ou manuais de sânscrito, mas não se dedicaram à tradução de obra tão monumental, ou pelo menos não publicaram.
Para fazer essa criação eu tive que utilizar a tradução inglesa “The Mahabharata of Krishna-Dwaipayana Vyasa” feita por Kisari Mohan Ganguli (Utkarsh Upadhyay) que está em domínio público no site Internet Sacred Text Archive (ISTA) e a tradução para o português dessa tradução em inglês, realizada por Eleonora Meier e disponibilizada também na internet gratuitamente.
Muito obrigado a essas fontes filológicas.
Utilizei-me ainda de algumas das inúmeras edições condensadas, tanto de O Mahabharata como de seu segmento O Bhagavad-Gita, feitas por vários autores, aos quais consegui ter acesso: William Buck; Krishna Darma; Georg Feuerstein; uma edição espanhola de 1986, da editora Edicomunicacion, que tem Julio Pardilla como tradutor; uma edição brasileira de 1943, da editora Edições Cultura, com tradução de Annibal Mello de Noronha e Faro.
Um é o olhar da filologia e da linguística, mais árduo e meticuloso, outro é o olhar da poesia, mais leviano e risonho.
Quem já leu uma tradução completa do Mahabharata percebeu que pelo menos 80% desse épico, em seus dezoito livros, é doutrinação simpática aos brâmanes, defesa de seus privilégios e regalias, elogio de uma casta de homens, elevação da figura de homens especiais, escolhidos por Deus como seus preferidos, sejam sacerdotes ou não.
Isso dá uma ideia de quem escreveu o texto ou o manipulou. Os demais 20% são musas cheias de humanidade. Foi dessa parte poética que eu tentei extrair um pouquinho do encanto vibrante que oferece e colocar nessa falsa resenha.
Espero que gostem da minha tentativa de colher uma pequena gota do sumo mais íntimo da poesia do grande épico.
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