Uma Rainha, Duas Coroas

Por José Humberto da Silva Henriques

Sobre o livro

Esse compêndio da última lavra de Humberto Henriques trata da situação entre o cômico e o naturalista – no sentido mesmo de ambientação dentro de uma determinada macrorregião brasileira, não no sentido de corrente literária – de personalidades que buscam a suposição de que deve haver alguma coisa no mundo que possa mudar o carrilçhão dos destinos.

O cômico do entrecho é delicado, sintético, sem esboço de qualquer tipo de intenção demonstrativa de que entre o ridículo e a queda – à moda do que ocorre na vigília hilária dos cômicos de todos os tempos – deve haver sempre a risada que nasce pronta.

Portanto, o texto circungava como se todos os seus pontos de justaposição e perosnas estivesse magmatizado por uma única intenção, aquela de abrir o cerrado como um dispositivo que não pode ser negado diante das inclemências da depredação.

Em tudo isso o autor há de ter pensado no momento de execução dessa maestria que se chama Uma Rainha, Duas Coroas. Por isso, a suposição de que se amplia sempre, a maneira crescente de se dispor à leitura, a curiosidade do leitor à medida que surge a peça.

Nesse romance, Humberto Henriques divaga pela grande área do Abaeté, a meio caminho para os aldos da capital mineira, Belo Horizonte. O enredo é figurativo e emblemático, buscando sempre a elisão das distâncias e a coalisaão com espaços determinados. Isso segrega o romance ao ambiente do cerrado.

Não obstante ser um romance disposto à moda de uma reverberação de sentidos ambientais, a participação humana nele prefigura a grandeza romanesca.

A vida das personagens é atada ao todo e por isso mesmo, ao se verificar a ambivalência de cada situação, entende-se que o segredo da leveza do romance reside exatamente nesse pormenor que incide em cada canto do texto, em cada quesito. Aqui o cerrado atua como personagem própria.

Adquire vida e se transmuta na beleza dos detalhes rocambolescos que somente uma natureza visceral poderia condecorar. Quando inserido no mundo imaginário de um teatro onipresente em todo o texto, integrado e múltiplo, o cerrado começa a mostrar as suas delicadezas mais espetaculares.

E no centro desse torvelinho, aparece a árvore de cagaita. A cagaiteira. A cagaiteira é conhecida por todos que coabitam esse mundo fascinante, tida como fruta muito perigosa por conta de seus efeitos laxantes.

Humberto Henriques confessa que sempre houve nele o intuito e o desejo de mostar um romance que tivesse a cagaita com principal personagem. Não queria um coadjuvante que deixasse passar em branco a alegoria das coisas vivas.

Por isso, diante das inclemências e das histórias contadas pelos antepassados que já se foram para outras dimensões, o autor ajuntou algumas informações abstratas e concluiu um romance cheio de variações absurdas – ainda assim, bastante convincentes.

A fruta de cagaita resplandece ao longo de todo o texto como um remédio que precisa ser estratificado em seus poderes máximos, inclusive em seu lado de ser estimulante de prazeres e outras situações que alternam o homem em sua individualidade.

Diriam alguns, diante do texto lido, a cagaita tem poderes afrodisíacos muito potentes. Assim se sugere e se demonstra.

Não obstante a temática voltada inteiramente para uma ideia central que vai e volta sempre ao ponto de partida, as personagens que desfilam nesse romance cumprem o seu papel vital, de stal sorte que o enredo é inserido no comportamento humano e suas vriações temporo-espaciais.

Assim, trata-se de obra de arte da mais pura estirpe. De fato, um romance para ser lido e relido em diversas oportunidades, quando estará sempre disponível para a excelência da melhor leitura. Compõe-se de um tratado exponencial da Literatura Universal.

O livro é repleto de muitas surpresas, entrelaça um comboio de histórias simples na veracidade de fatos corriqueiros para o interior desse mundo do Noroeste das Minas Gerais, um país dentro do outro que o alberga e abraça.

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