Uma Parede de Andorinhas

Por José Humberto da Silva Henriques

Sobre o livro

Trata-se de um livro moderno. Poemas feitos com o vigor e maturidade de um grande criador de poesia da mais pura qualidade. Uma Parede de Andorinhas traduz toda a perplexidade do escritor diante do mundo.

Diante disso, a complexidade da sua maneira de apresentar a sua obra deve refletir todo o emaranhado psicossocial a que se submete sempre uma criatura que pensa e vai avante em seus planejamentos existenciais.

Alguns leitores creem que esse é um dos títulos mais memoráveis dos livros todos de J Humberto Henriques. A sugestão que se tem, em certos meses do ano, as andorinhas se reúnem para fazer seus modelos acrobáticos nas aldeias os céus.

Depois, quando se cansam ou quando querem achar um lugar para pousar, mormente os fios de alta tensão, os fios de eletricidade, pousam e fazem aquela sugestiva argamassa de passarinho.

Poemas construídos a partir da situação ortodoxa e geométrica que JH Henriques tem conduzido através do tempo. Um livro com poemas sintéticos, embasados numa construção emblemática, saudável aos olhos e à interpretação do leitor.

Na verdade, poderia ser um daqueles emblemáticos livros de poesia que são examinados pela lembrança de quem leu pelo resto de seus dias.

A consideração que se tem em se saber de um livro assim é a mesma que se tem diante de um modelo exclusivo de criação literária, como só pode acontecer em autores cujo legado é eterno para os anais da Humanidade.

Uma coisa que sempre flutua na imaginação das criaturas, entretanto, passando da observação crítica ao fato curioso, quando questionado a razão de ter escrito um livro e nele ter fixado esse título – daqueles títulos que não podem ser removidos jamais em função de outro qualquer -, Henriques diz que esse nome vem de uma memória muito reativada.

Conta que nos dias em que fazia seus plantões em torno de Ribeirão Preto, como era o caso de Jaboticabal, Santa Rita do Passa Quatro, Brodowski, e outras que ele não se recorda, apanhava o ônibus na rodoviária para andar ao destino.

Quando voltava, no dia seguinte, após uma noite a trabalhar em plantão de clínica médica, cansado pela labuta, descia outra vez na rodoviária de Ribeirão Preto, isso sempre às horas amanhecidas, seis, sete horas da manhã, quando então, apanhava o rumo da Santa Casa.

Tinha que passar naquela praça mais próxima da estação rodoviária, naquele tempo ornamentada por amendoeiras muito altas e velhas, árvores ortodoxas, momento em que as andorinhas faziam seu revoado e seus bailes nos céus.

Muitas, inúmeras, mesmo podendo ser uma questão de saúde pública porque a praça se tornava um verdadeiro campo de esterco de passarinho. As amendoeiras eram seu pouso. O chilreado dos passarinhos e suas acrobacias nos ares chamavam a atenção do doutor cansado.

Ademais, o odor procrastinado de ureia e não se sabe mais o que, aquele odor de cocô de passarinho que se acumula em camadas e só se vai quando vem uma chuva grande para varrer a massa.

Quando a luz se firma nos céus, as andorinhas, antes de se dispersarem por aí, possuam nos fios e simulam esses pedaços de paredes irrevogáveis. Pelo menos a descrição assim ficou e o escritor traz estas lembranças muito afiadas. Sequer deixa de dizer que as cores do ônibus eram fortes, azul-marinho e amarelo, o Rápido D’Oeste, aquele mesmo que transportava o poeta de cabo a rabo pelas adjacências da grande Ribeirão Preto.

Mas voltando ao comentário analítico, esse é um livro maduro, de produção recente, quando o autor experimenta – conforme disse em conversa recente – se desvincular da produção poética para se dedicar somente aos ensaios. Blocos organizacionais e repetidos dentro da contagem da dezena.

Entretanto, esse livro é sintético e conduz a um pensamento profundo sobre as coisas que a vida proporciona e a existência pode embalar. Da produção de JH Henriques talvez esse seja o contemplativo mais maduro e profundo.

É uma tarefa de risco dizer isso. São muitos os livros publicados pelo autor e fazer essa comparação pode não

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