Um quarto só para si

Por Virginia Woolf

Sobre o livro

A Room of One’s Own (Um Quarto Só para Si) é um histórico ensaio de Virginia Woolf originalmente intitulado “Mulheres e Literatura”, baseado em duas palestras que a escritora proferiu em outubro de 1928 no Newnham College e no Girton College, as primeiras faculdades femininas da Universidade de Cambridge, na Inglaterra.

Prosa elaborada, com mais de uma centena de referências literárias e históricas, fina ironia, acurada argumentação e belas metáforas, o livro apresenta uma tese essencial, sintetizada na frase “uma mulher deve ter dinheiro e um quarto só para si se pretende escrever ficção”.

Embora tenha sofrido diversas revisões e acréscimos, a versão final mantém o sentido das conferências originais, de uma mulher falando para um público feminino. O ensaio — publicado pela primeira vez em setembro de 1929 — tornou-se provavelmente o mais influente trabalho do gênero no século vinte.

Há quase cem anos, ele inspira gerações de mulheres no mundo inteiro, não apenas por suas ideias e reflexões, mas também pela prosa artisticamente construída. Antes de falar desse livro, é importante conhecer o contexto em que foi escrito.

Virginia Woolf fala a jovens universitárias inglesas em um cenário sociopolítico de conquista de espaço e direitos femininos.

Na Inglaterra, até o fim do século dezenove, a mulher tinha raras opções de trabalho, especialmente no campo intelectual; praticamente nenhum dinheiro; era proibida de cursar universidades e de expressar suas opiniões em público; além de toda a sua riqueza, bens e propriedades (herdados ou produzidos) pertencerem ao marido.

Nas primeiras décadas do século vinte, as leis estavam mudando — graças especialmente à ação das sufragistas — mas havia um largo território a conquistar nas mentes, ainda regidas pelos valores, preconceitos e regras de decoro vitorianos.

O irrestrito direito feminino ao voto ocorreu no ano em que Woolf fez as palestras. Apenas em 1920, as primeiras mulheres passaram a receber diplomas em Oxford, embora desde 1879 estudassem nos poucos cursos universitários que eram autorizadas a frequentar.

Em Cambridge, local das conferências de Virginia Woolf, as mulheres teriam direito a receber um diploma somente em 1949, oito anos após a morte da escritora. Neste ensaio, Woolf vale-se de diversas estratégias para explorar a linha histórica da relação entre mulheres e produção literária.

Todas elas a serviço de explicar ao leitor o caminho que a autora percorreu para chegar à conclusão de que uma aspirante a escritora deve ter independência financeira e um espaço próprio, com fechadura.

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