Um preto no altar: Resistência e protagonismo em um território de disputas

Por Alvaci Mendes da Luz

Sobre o livro

Colocar um santo preto no lugar mais alto do altar principal de uma igreja particular, em fins do século XIX, não foi tarefa fácil para a Irmandade de São Benedito do Largo São Francisco.

A cena até poderia ser habitual, considerando a quantidade de irmandades de pretos que ainda existiam em todo o Brasil Imperial.

Contudo, na Igreja do Convento de São Francisco, no centro da cidade de São Paulo, o santo siciliano, invocado como protetor das comunidades negras, só chegou ao nicho principal depois de um longo processo de disputas, resistência e protagonismo daquele grupo constituído majoritariamente por pretos e pretas pobres, escravizados ou ex-escravizados.

Atentos ao contexto social que os envolvia, particularmente aos movimentos em defesa da libertação dos cativos, os irmãos beneditos, como ficaram conhecidos, vislumbraram o momento oportuno para substituir a imagem de São Francisco pela de São Benedito, mudar a titularidade do templo e ainda reivindicar para si a posse daquele espaço.

Por mais de oitenta anos cuidaram da igreja, fizeram reformas, construções, festas e enterros no local, transformando-o em um dos marcos da resistência negra na capital paulista.

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