Um Novo Olhar Sobre a Empresa de Borracha na Amazônia, 1840–1930

Por Rosineide da Silva Bentes

Sobre o livro

O livro Um novo olhar sobre a empresa de borracha na Amazônia, 1840-1930 lança uma nova perspectiva sobre a produção empresarial de borracha na Amazônia brasileira.

Examina a companhia de borracha, considerando o processo de apropriação privada ecológica da terra e suas implicações para a disponibilidade de trabalhador livre (não escravo, no sentido de não ser uma mercadoria de propriedade de alguém), na região, a organização administrativa, as relações de trabalho, a tecnologia, a lucratividade e os reinvestimentos.

Argumenta que a lógica capitalista de produzir para obtenção de lucro, a fim de acumular capital, governou todos os momentos dessa empresa.

O empresário comandou, direta ou indiretamente, formas subordinadas de trabalhadores livres desde o processo de seleção, engajamento e realização do trabalho, até o momento em que eles deixavam a companhia. Esse comando estava baseado na propriedade privada dos principais meios de produção.

Essa lógica, contudo, materializou-se em um contexto histórico específico, no qual a racionalidade capitalista só podia se efetivar adequando-se aos ritmos e especificidades dos meios físicos naturais da região Amazônica brasileira e às circunstâncias sociais daquele período.

Concepções ecológicas de natureza (terra) e tecnologia nortearam o processo histórico de apropriação e utilização da terra-seringal.

A maioria dos seringalistas aprendeu, inclusive, a importância de manter a floresta em pé, em um momento histórico em que isso era considerado “primitivismo”, “selvageria” e “falta de senso empresarial”.

Diante da massiva promoção da moderna tecnologia de rubber plantation pelo império britânico e pelo governo brasileiro, eles resistiram a ela por considerá-la predatória, configurando-se um conflito no qual ocorre um debate interessante e atual, de conotação ecológica.

O livro desvela o movimento de capitalistas britânicos em direção à borracha amazônica, seu controle considerável do comércio local e da exportação de borracha, inclusive manipulando preços.

Todos os capítulos deste trabalho são interessantes, originais, genuinamente revisionistas e baseados, como eles são de fato, em uma ampla gama de fontes primárias e, da mesma forma, de estudos contemporâneos.

A obra representa uma contribuição distinta e valiosa para o conhecimento da história social, econômica, rural, ambiental e de relações internacionais da Amazônia e do Brasil.

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