Um Conto Cyberpunk de Natal

Por Lucas Praxedes

Sobre o livro

Num futuro distópico marcado por muralhas que segregam a população e por um aquecimento global que torna o dia quase inabitável, o conto acompanha um ex-soldado que sobrevive à margem da sociedade.

Na véspera de Natal, quando a cidade tenta simular aconchego, ele planeja roubar um objeto de uma loja de armas.

O calor sufocante, as ruas vazias durante o dia e a atividade clandestina concentrada criam um cenário opressivo, no qual o protagonista carrega não apenas implantes e cicatrizes de guerra, mas também a memória de um mundo que já prometeu algo melhor.

Esse conto curto dialoga com a tradição dos contos de Natal ao deslocar seus temas centrais para um ambiente hostil: em vez de lareiras e neve, há concreto quente e néon; em lugar de milagres explícitos, pequenos gestos humanos num mundo desumanizado.

Assim como em Dickens e em outros relatos natalinos clássicos, a data funciona como um limiar moral, um momento em que passado, presente e futuro se chocam.

Mesmo sob o verniz cyberpunk e pessimista, o Natal permanece como símbolo de pausa, julgamento e transformação, sugerindo que, mesmo no fim de um mundo aquecido e murado, a possibilidade de mudança ainda resiste, frágil, clandestina e profundamente humana.

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