Trovas do Bandarra: Natural da Villa de Trancoso, apuradas e impressas por ordem de um grande senhor de Portugal

Por Gonçalo Anes Bandarra

Sobre o livro

Na presente Edicção houve unicamente a tenção de satisfazer aos desejos, e cuidadoso empenho dos que buscão haver estas Profecias, e conservar dellas a todo custo um exemplar incorrupto.

Isto procurãmos com a maior diligencia, referindo nos escrupulosamente, e com toda a pontualidade á que se publicou em Nantes em o anno de 1644, por Guillelino do Monnier, Impressor d’el Rei; e não se encontrará mudança, nem a menor alteração em accrescentamento, ou falta, porque; tudo vai como nella está, por excepção de alguns poucos, e leves descuidos da impressão, que pareceu acertado emendar.

E em quanto ás ineditas, que ajuntamos no fim, por nos serem requeridas de alguns sujeitos, seguimos as melhores, e mais apuradas copias, de quantas buscámos com curiosidade, e pudemos descobrir, preferindo sempre as mais antigas, e que conservadas pela tradição continuada reputámos por mais fide dignas, além de nos serem communicadas por pessoas graves, e de authoridade, que as guardão em varios lîvros de curiosidades antigas.

Todas as que aqui vaõ temos por verdadeiras, e taõ suas, e merecedoras de estimaçaõ como as ímpressas; pois no tom, e maneira de enunciar as couzas, que revela, assim como na locuçaõ, e estylo em nada se differenção dellas.

Pelo que toca ao seu , bem conhecido he o seu nome, assim como a bem merecida reputação, e credito que tem entre todos por estas suas mesmas Profecias tam decantadas como cheias de mysterio, e verdadeiras; que ninguem ha que delle, e dellas faça menção, sem que seja fazendo lhes conciliar o grande respeito, e veneração, que se lhes deve.

De sua vida nenhuma couza aqui ha que dizer, podendo se dizer muitas, porque ninguem de quantos lem estes escriptos a ignora; a anda em muitos livros, que todos podem haver mui facilmente. Foi elle o Nostradamus dos Portuguezes, como antigas memorias nos certificão, no tempo d’el Rei D. João o III.

de Portugal, e porventura ainda mais celebre por seus ditos, maravilhosos vaticinios, e prognosticos, do que foi aquelle, e pelos mesmos annos na França; porque se com particular distinção obteve este os comprimentos de Henrique II., e da Rainha Catharina de Medicis, sua mulher, e de seus filhos; as honras, e estimações do Duque de Saboia Manoel Feliberto, e da Duqueza Margarida de França; e os prezentes de Carlos IX.

mereceu o nosso os applausos de uma Nação inteira assim de grandes como pequenos, de illustres, e plebêos, sabios, e indiscretos, e continuados por tamanho espaço, quanto vai desde quando viveu até nossos tempos, e sempre o será, em quanto o Mundo durar, que tanto hade viver na memoria dos homens.

Assim o sentiu aquelle raro engenho, e o mais accreditado Pregador o P

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