Sobre o livro
Márcio Grei Teixeira Lima e a Filosofia da Imaginação Natural: Entre o Ser e o Inexistente
A proposta da Filosofia da Imaginação Natural, tal como desenvolvida no livro Inmaginário Humano, representa uma tentativa radical de restaurar a filosofia de sua condição de decadência, corroída por ideologias surgidas no pós-guerra.
O irracionalismo, o psicologismo, o antropocentrismo e mesmo o psicanalismo contribuíram para a dissolução da filosofia em discursos fragmentários, destituídos do ser enquanto fundamento ontológico.
Contra esse colapso, a filosofia da imaginação não propõe um retorno nostálgico à metafísica, mas um deslocamento profundo: do sujeito para o in-maginário.
Neste pensamento, o imaginário não é uma instância subjetiva, psicológica ou cultural, mas sim a estrutura originária da realidade — ou melhor, daquilo que escapa à oposição entre real e fictício.
Tudo o que existe é fundado numa rede de imagens (in)reais, fictícias ou inexistentes, que sustentam até mesmo as chamadas ciências particulares. O sujeito, tal como concebido desde Platão e Aristóteles, é visto aqui como uma invenção filosófica que confunde ser e realidade com ficção.
E ao fazê-lo, acaba por esconder o verdadeiro campo do pensamento: o in-maginário — com hífen e com (in) — que nomeia a instância sem sujeito, sem gramática, sem idioma, sem tempo e sem espaço.
Márcio Grei Teixeira Lima afirma que nem mesmo o livro Inmaginário Humano é um livro no sentido tradicional. Ele não está escrito em idioma algum, não segue regras gramaticais reconhecíveis, e tampouco pressupõe um autor.
Trata-se, antes, de um desdobramento fictício e inexistente criado precisamente para não deslocar o imaginário, mas para deixá-lo onde sempre esteve: no limiar entre o ser e o não-ser, entre o dizer e o indizível.
Na dimensão do in-maginário, não há sujeito que escreve, nem palavras escritas; não há olhos, mãos, letras ou vontade. O pensamento se dá como fluxo de ficções, e a existência humana como uma rede de inexistências organizadas em forma.
Essa proposta filosófica singular é fruto da trajetória de Márcio Grei Teixeira Lima, nascido em 3 de agosto de 1976, na cidade de Ubiratã, no estado da Bahia.
Filósofo e teólogo de formação, é o fundador do Instituto de Filosofia da Imaginação Natural (IFIN) — uma escola de pensamento dedicada ao aprofundamento dessa nova ontologia do imaginário.
Autor de obras como Inmaginário Humano e Técnicas da Fantasia, Márcio Grei concebe sua filosofia como ruptura e reinvenção.
Não se trata de retornar a fundamentos perdidos, mas de atravessar o colapso do sujeito e pensar a partir de um lugar onde o pensamento já não pertence a ninguém — um pensamento sem origem, sem linguagem, sem corpo.
Com a fundação do IFIN, institucionalizou-se não apenas uma doutrina, mas um movimento filosófico que desafia os limites da tradição acadêmica, ao mesmo tempo que propõe uma crítica contundente à substituição do ser por categorias psicológicas e discursivas.
Sua filosofia, em última instância, é o gesto de pensar sem sujeito, de escrever sem escrita, de fundar o pensamento a partir da ausência de qualquer fundamento — exceto o in-maginário, essa instância originária e ficcional que precede toda existência, inclusive a do pensamento.
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