Taru Andé

Por José Humberto da Silva Henriques

Sobre o livro

No fim do século passado, motivado pela sua busca continuada de experiências vitais, Humberto Henriques agregou ao grupo de cientistas da UFTM – Universidade Federal do Triângulo Mineiro – sob o comando do saudoso Professor Doutor Aluísio Rosa Prata, com a finalidade de levar avante a sua pesquisa em uma tribo de índios do Norte de Minas Gerais, o povo Xacriabá.

Sua primeira incursão na tribo foi no Dia do Índio, quando se celebra tal data no Brasil, no mês de abril. Henriques conta, chegaram à aldeia, ele e toda a disciplina de Doenças Tropicais, mais uma quantidade grande de alunos do curso regular de medicina.

A primeira visão que o romancista teve foi de um hibridismo de culturas que o deixou alarmado. Era a boca da noite e logo a escuridão ficou mais densa, como não poderia deixar de ser diferente sobre esse mundo de expectativas assim elaboradas.

A manifestação dos índios, a família xacriabá, consistia nas fogueiras que crepitavam e muitos montados em seus cavalos, a correr a longo daquele descampado de terra seca e árvores raquíticas. E gritavam muito.

Todos armados com um facão trabalhado a esmeril, de tal maneira que adquiria formatação de florete, só que duro e mais longo, uma arma de furar. Uma arma e tanto.

Nessa ocasião de primeira visita, Henriques passou os olhos sobre o Cacique Rodrigão e sobre o Pajé Emílio. Só que aquela primeira visita o deixou muito interessado em tudo que acontecia ali, na forma como vira os acontecimentos nesse Dia do Índio.

Na verdade, na aldeia Xacriabá tinha gente de todo jeito, menos índio. Então, a visão do romancista falou mais alto e um mês depois Henriques voltava à aldeia, desta vez para ficar.

Começaria a colher o material que usaria para confeccionar o “boneco” de sua tese de doutorado em Medicina Interna, que seria trabalhado na USP – Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

Com isso, ampliava-se o seu contato com aquele mundo, com aquele povo marginal e marginalizado. O contato com Rodrigão e com Emílio, O cacique o pajé, tornou-se mais íntimo e mais intenso. Henriques estudava o mundo em torno e começava ali mesmo a escrever o romance chamado Xacriabá.

Em seguida, o livro de contos chamado Língua-Línguas. Com uma máquina de escrever miúda, uma Olivetti Lettera, o romancista deitava os dedos aos tipos e construía a sua proposta principal, a introdução desse mundo na Literatura Universal.

Foi a partir da convivência com o povo Xacriabá que Henriques se interessou pelo povo Krenak e Maxacali. Então, Taru Andé é um livro Maxacali. Do princípio ao fim, mostra a realidade desse povo que está em vias de extinção.

E isso acontecerá em breve, caso não haja algum resíduo de humanidade no fundo dos olhos dos responsáveis por tamanha degradação. Dentro da aldeia Xacriabá, então, Henriques conta que estabeleceu a sua rotina. Colhia o seu material humano pela manhã para fornecer à ciência.

Almoçava e colhia mais um tanto. Sua cozinheira – tinha as regalias de um hóspede afortunado -, Das Dores arrumava a cozinha enquanto ele, ao ver cair o sol para as bandas da Prata, uma região de lá, pedaço da aldeia, ajeitava os breguessos e ia pescar.

Voltava já ao cair da noite, bebia um gole de pinga ao lado de Chico do Ó, seu motorista, escrevia algumas páginas e depois, como manda a rotina do sujeito tranquilo, recolhia-se para dormir.

Enquanto isso, nele incorporavam-se as três tribos mineiras e os demais mais aproximados, os Pataxós do sul da Bahia.

Taru Andé, a exemplo do que ocorre com o romance já publicado Xacriabá, ambos de autoria de José Humberto Henriques, narram a solidão enfrentada por duas tribos indígenas do Brasil. As duas de Minas Gerais. Uma a Sudoeste do estado e a outra ao Norte.

Esses romances se baseiam na vida e na convivência que o autor travou com esses índios na década de 1990. Taru Andé é livro maxacali. O outro se baseia em vida de índios do mesmo nome: Xacriabá. A tribo maxacali marcha indelevelmente para a extinção. Isso torna

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