Tango para homens velhos seguido de A nuvem vigilante e Amém

Por Altair Martins

Sobre o livro

Esta antologia reúne três peças de teatro escritas pelo gaúcho Altair Martins. Elas são criativas e intensas, tanto na forma quanto no conteúdo.

As obras criticam duramente duas ideias: o positivismo, que vê a humanidade como um processo de evolução gradual e positivo; e a pós-modernidade, que exalta um presente hedonista (cheio de prazeres imediatos), ignorando lições do passado e problemas do futuro.

Segundo uma personagem de Martins, o futuro será controlado só pelo dinheiro: “MARISTELA – E por isso o dinheiro é esta demonstração de futuro. O futuro puro”.

As personagens buscam desesperadamente um pouco de individualidade, mas são retratadas como estereótipos: juízes e pintores de parede (em Tango), alegorias sem nomes próprios (em Nuvem) e figuras literárias antigas (em Amém).

Vivemos em uma era de excesso do “eu”, onde o neoliberalismo prioriza o indivíduo sobre o coletivo. Isso se junta à política de identidade, tornando o egocentrismo dominante: “meu corpo, meu direito, minha voz”. Utopias coletivas parecem fora de moda no pensamento libertário.

Martins ataca isso tudo, mostrando como as pessoas estão se desumanizando, virando senhas, CPFs e algoritmos.

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