Sobre o livro
Passaram 15 anos: onde estamos agora? Reviver estes dias na Praça Tahrir é avassalador. Tudo isto aconteceu, não foi mentira. E continua à nossa frente.
A.L.C., Janeiro de 2026
A 3 de Fevereiro de 2011 eu estava em Ponta Delgada a apresentar Viva México. Tinha voo no dia seguinte para Lisboa, de onde voltaria para o Rio de Janeiro, cidade em que então morava, como correspondente do jornal Público no Brasil.
As notícias da Praça Tahrir eram de batalha campal, com o regime ao ataque. Pedi uma semana de férias ao jornal, comprei um bilhete de avião e em vez de regressar ao Rio voei para o Cairo. As páginas que se seguem não são uma cobertura jornalística.
São um relato dos dias antes, durante e depois da queda do ditador egípcio, o presidente Hosni Mubarak.
Ainda mal tudo começara na Praça Tahrir e já muita gente no exterior temia ou duvidava do futuro. Mas o presente existe independentemente do futuro.
Durante dezoito dias, centenas de milhares de pessoas uniram?se espontaneamente num espaço público, inventaram uma organização democrática sem precedentes e derrubaram um ditador há 30 anos no poder.
Para isso, não recorreram à força contra ele, não desistiram quando ele recorreu, e depois da vitória foram limpar o lixo.
As revoluções são momentos extraordinários. A Praça Tahrir foi um desses momentos: um triunfo do humano sobre si mesmo. O epílogo está sempre em aberto, mas o que vem a seguir não eliminará o que aconteceu.
A minha pergunta não é: e depois? A minha pergunta é:
isto é real?
Foi.
Essa é a inspiração.
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