Sonoridades caipiras na cidade: A produção de Cornélio Pires (1929–1930)

Por Elton Bruno Ferreira

Sobre o livro

Uma cidade em ritmo de transformação, buscando um padrão de modernidade tecnológica que abarcava uma avalanche de mudanças. A construção de uma história homogênea e oficial pautada pelo mito do bandeirante herói.

Esse era o cenário vivido por Cornélio Pires e a sua Turma Caipira quando da gravação dos primeiros discos de música caipira, em processo de ambientação à técnica dos discos de 78 rpm.

A sonoridade acaipirada, registrada pela gravadora Columbia, marcaria o contraste representativo entre o rural e o urbano nas primeiras décadas do século XX.

O caipira narrava aspectos cotidianos das suas experiências construídas culturalmente. Suas relações com a urbe alternavam estranhamentos e adaptações, assinalando a pluralidade de vivências no contexto histórico do período.

Os registros sonoros produzidos a partir do esforço de organização e dos causos contados por Cornélio possibilitaram aos ouvintes o desenvolvimento da sensibilidade em torno de questões trazidas por formas de vida próximas à natureza.

As sociabilidades apontavam possibilidades diversas daquelas encontradas na urbe na busca pela sobrevivência. As modas de viola e as narrações criaram cenários que foram da nostalgia à crítica, sempre de forma bem-humorada.

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