Sobre o livro
Porque elas caem, nós as amamos – as flores de cerejeira. Neste mundo flutuante, alguma coisa dura? Ariwara no Narihira (823-880) Estendo as mãos para o vazio E finjo tocar o teu ar uma vez mais… Porque me acostumei Sem o contato das formas, as mais banais.
Minhas mãos continuarão vazias Porque construíram apenas o irreal. Pisarei como que sobre tuas areias Porque não houve chão para os meus passos. Meus olhos procurarão horizontes longínquos Porque se acostumaram com a ausência definitiva Do que vi, do que vivi, do que tanto amei…
Eu sei, eu sei, eu sei… Minhas palavras serão mansas Porque só dialogaram com silêncios intermináveis. Com quem dividir tantas lembranças? Tanta solidão que nos alcança? Tentarei ouvir de novo as vozes Das coisas que me cercam porque tornei a meu mundo.
Mas terei de devolver à vida as asas que me alçaram A este país cujos sonhos por lá ficaram…
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