Sobre o livro
É livro sensacional, faz o leitor viajar, e se sentir vendo os acontecimentos, mas que uma leitura é uma experiência. A curiosidade cria desejo no leitor em continuar explorando cada episódio até o fim. Leitura instigante, gostosa com realismo impa. Abaixo uma pequena amostra:
– Wilson, o Miltinho está no Brasil e entrou na justiça alegando que é seu irmão e quer fazer um exame de DNA para comprovar isso. Foi um susto para o genro. O sogro observava a sua reação, e um ambiente fúnebre se instalou.
Refeito do primeiro impacto, o genro perguntou: – Mais alguma coisa para me dizer? A Alexandra já sabe disso? A resposta não agradou ao genro: – Eu falei com ela para deixar quieto que eu iria conversar com você e lhe contar tudo.
Wilson replicou: – Quer dizer que você e minha mulher – sua filha – combinam as coisas? A pergunta é: devo confiar em quem? Se minha esposa guarda segredo a meu respeito com o pai dela, vejo que meu valor é muito pequeno nesta história. Wilson se levantou e sem despedir do sogro foi embora.
Da fábrica até a casa do genro eram uns trinta minutos. Ele foi mais devagar, pensava em tudo o que havia escutado, conversava consigo mesmo no interior do carro.
Parou no primeiro posto de gasolina, enquanto o carro era abastecido, uma mensagem apareceu no visor de seu celular: era sua esposa dizendo que ia demorar um pouco, estava na casa da mãe, dona Eleonora, e ele apenas respondeu: “Se não quiser voltar, fique à vontade” – ela não replicou.
Próximo das 22 horas, ela chegou. Ele brincava com o filho de seis anos no sofá, o menino correu para abraçá-la. Wilson, em silêncio, somente observava. Ela pegou a mão do menino e mandou dar boa noite ao pai, pois já estava na hora de dormir.
Ele ficou esperando na sala, mas a hora passou, até que teve a atitude de ir conferir o que estava acontecendo. Chegando ao quarto do filho, a mulher tinha tirado a calça jeans, estava só com a blusa, e dormia totalmente descoberta, ele pegou um lençol, a cobriu e foi tomar banho.
Deitou-se, demorou em dormir. Antes das 6 horas, foi acordado pela terrível cobra mostrando-lhe a língua na mão de sua esposa, era tão nítido que ele se levantou e foi ver se a sua mulher ainda dormia – e lá estava ela. Sua cabeça continuava tão cheia que não teve tempo para lamúrias.
Voltou ao quarto, tomou um banho, fez a barba, e quando saiu do banheiro sua esposa estava deitada na cama: – Oi, desculpa… estava tão cansada que apaguei – ele deu um sorriso sem graça, disse que tudo bem.
Ela se levantou e foi tomar seu banho, e de dentro do banheiro deu um grito: – Espera por mim pro café. Ela apareceu caprichosamente linda. Ele não comentou, mas a observou. Já tomava seu café, esperava o pão de queijo que cheirava no forno.
Dona Isaura fazia um pouco a mais e congelava, sempre havia pão de queijo na mesa. Dona Isaura era como se fosse da família, antes de ir trabalhar ali, já prestava serviço para os pais de Wilson. Cuidava da casa como se fosse a sua, era a sua segunda família.
Tinha Wilson como o menino que precisava dela, apesar de ser casado. Na mesa do café havia um silêncio anormal. Coube ao esposo perguntar como foi a consulta do filho com o pediatra. Ela respondeu que estava tudo bem com o menino em todos os sentidos.
Aproveitou a oportunidade e disse que estava sabendo da conversa dele com o pai dela. Ele respondeu: – O pior é eu ter que saber sobre essa situação através dele… e mais, vocês guardarem segredos de mim é lamentável.
Ela não respondeu nada a respeito dessa cobrança, porém comentou sobre a venda do gado antes de terminar o inventário e completou dizendo: – No caso, se for confirmado que Miltinho é seu irmão como o meu pai afirmou que é….
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