Sobre viver: o corpo negro em poemas de Conceição Evaristo e Elisa Lucinda

Por Patrícia de Paula Aniceto

Sobre o livro

Concentro esta pesquisa nas inquietações em torno das questões que problematizam a alteridade, a diferença e o gênero, a partir da estetização étnica do corpo negro presente em poemas de Conceição Evaristo e de Elisa Lucinda.

Realço a importância do feminismo negro para a autoria do seu grupo étnico e defino como o epistemicídio implica uma tensão na cultura negra. Procuro destacar que é no corpo que ocorrem as representações da diferença que estão intimamente ligadas ao poder ou a seus efeitos.

Para tanto, reflito sobre o corpo e a relação desequilibrada e desigual de poder, bem como sobre as significações hierarquizadas que consistem em figurar a alteridade e legitimar o racismo insidioso.

Apresento, também, o esforço de intelectuais para tecer o diálogo sobre o pensamento decolonial e a resistência. Examino o erotismo como manifestação de afeto e contemplo o exercício do poder orientado pelo racismo que acaba construindo estereótipos sobre o corpo negro.

Demonstro que as poetas apresentam a potencialização do racismo quando o denunciam através da estética e da alteridade.

Concluo, por meio desse percurso reflexivo, que o sujeito poético é combativo às formas de opressão e que o seu corpo, ao escapar do terreno do corpo dócil, oferece resistência ao poder que o regula e se manifesta nos níveis mais profundos das práticas sociais.

Para o desenvolvimento dessas reflexões, investigo os conceitos fundamentais que afetam o corpo negro no corpus analisado.

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