Sobre o Erro Humano: Vol. III

Por José Eduardo Marinho Cardoso

Sobre o livro

A proposta da obra é dar continuidade aos volumes anteriores, oferecendo referências não só válidas, mas também reflexivas a respeito do erro humano e dos diferentes elementos que têm relação com essa manifestação humana: crenças, valores, expectativas, preferências, preterências, medos etc.

Antes, durante e depois da ocorrência dos nossos acertos e desacertos podem ser identificados pensamentos, emoções e sentimentos que geralmente são menosprezados por nós. Se acertamos, é comum enaltecermos a nós mesmos, elevamos nossa autoestima e reconhecemos como somos bons e inteligentes.

Mas, se desacertamos, talvez coloquemos em dúvida a nossa capacidade, eventualmente acabamos depreciando a nossa autoestima e já não parecemos tão bons e inteligentes como achávamos que éramos.

Na vida cotidiana, vamos perceber que acertos, equívocos, êxitos e fracassos mexem com a nossa mente, podendo fazer com que muitos de nós entrem numa montanha-russa emocional.

Na verdade, sempre há aqueles entre nós que não lidam bem com as falhas e insucessos próprios, ainda mais quando estes ocorrem com os outros. Vivemos num mundo que tende a levar para o lado pessoal tanto os bons desempenhos e sucessos, como as performances ruins e fracassos.

Assim, se algo deu errado, então é porque há algo naquela pessoa que a desqualifica, inabilita ou reprova. Infelizmente, as pessoas tendem a acreditar que entre as várias causas de seus acertos, êxitos, erros e insucessos, só uma e apenas uma importa: elas próprias.

Através de frases curtas, citações e perguntas que promovem a reflexão, o leitor é levado a ponderar sobre o que é bom para todos, empregando aquilo que lhe é inerente: a razão. Em várias páginas podem ser encontrados três símbolos de interrogação (???), indicando que se está diante de um questionamento apesar de ser uma afirmação, pois o que se quer é a ponderação.

O livro adota um enfoque cético mas que é racional e positivo, que além de procurar manter a mente aberta, parte da premissa de que fazer o bem aos seres vivos, não lhes fazer o mal e não lhes prejudicar, depende também de não promovermos a dúvida e a incredulidade irracionais com propósitos gananciosos. Afinal, respeitar a dignidade do outro também é prezar a sua inteligência.

São propostas inúmeras questões, por exemplo:

– Com erros e acertos, nossa espécie conquistou todos os cantos do globo já que representamos a expressão máxima de um truque realizado pela Mãe Natureza: não pré-programar totalmente o cérebro humano; em vez disso, basta configurá-lo com os “blocos de construção” básicos e colocá-lo no mundo.

O bebê que ousa os primeiros passos eventualmente cai, sentado para de chorar, olha em volta e absorve o mundo ao seu redor num relance. Na base da tentativa e erro, ele vai se moldando ao ambiente.

Assimila tudo, desde o idioma local até os traços culturais mais sutis, exposto às peculiaridades da realidade em que se encontra. Leva adiante as crenças e preconceitos daqueles que cuidam dele.

Cada lembrança adquirida, cada lição aprendida, cada fragmento de informação absorvida – tudo isso molda seus “circuitos” neurais para desenvolver algo que nunca foi planejado antes, mas que passa a refletir o mundo ao seu redor.

– A relutância em admitir nossos erros é mais que uma falha individual ou um evento aleatório, mas tem sido culturalmente transmitida geração após geração. De fato, como cultura, sequer dominamos a habilidade básica de dizer “eu estava errado”.

São reflexões como essas que vamos encontrar a cada página, que pretendem questionar as nossas convicções. O que se quer, é que pensemos por nós mesmos e não como o autor pensa. Trata-se de uma excelente oportunidade para exercitarmos a dúvida saudável, que leva ao esclarecimento daquilo que é potencial ou inegavelmente nocivo.

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