Sobre o contentamento da mente: (Com notas e ilustrações)
Por Lúcio Méstrio PlutarcoSobre o livro
Neste livro, apresentamos um ensaio moral escrito por Plutarco (46 – 120 d.C.), historiador, biógrafo, ensaísta e filósofo grego, autor de “Vidas Paralelas”, que reúne biografias comparadas de personalidade gregas e romanas de sua época, e “Moralia”, uma coleção de tratados que valoriza as questões morais mais do que os fatos históricos.
Em “Sobre o contentamento da mente”, Plutarco escreve sobre como encontrar tranquilidade e satisfação na vida. Ele enfatiza que a verdadeira paz não vem da riqueza, fama ou poder, mas da capacidade de apreciar o presente e controlar as paixões irracionais.
O autor critica a ideia de que a tranquilidade exige inatividade, argumentando que o engajamento em ações justas é fundamental. Ele também discute como a felicidade não depende do estilo de vida escolhido, mas da disposição interna de cada pessoa. A reflexão sobre as adversidades e o exemplo de homens sábios que enfrentaram dificuldades com serenidade são apresentados como caminhos para alcançar o contentamento.
O filósofo também retrata a tendência humana de invejar os outros sem perceber os problemas ocultos que essas pessoas enfrentam, para então sugerir que a verdadeira felicidade não se encontra em bens materiais ou status social, mas em aceitar e lidar com a própria realidade.
Assim, o historiador critica o desejo desproporcional, que leva as pessoas a culpar o destino por suas falhas em alcançar o que desejam. Então, ele recomenda que as pessoas ajustem seus desejos às suas capacidades e aceitem que não podem ser bem-sucedidas em tudo.
De acordo com Plutarco, diante da impossibilidade de combinar todas as ambições em uma única vida, seria melhor que cada indivíduo siga suas inclinações naturais e evite a comparação com os outros. Para ele, a memória também pode ser uma ferramenta para manter a paz de espírito, pois, se usada corretamente, pode ajudar a manter a continuidade e a integridade da vida.
O intelectual recomenda que devemos focar nas coisas boas da vida e não nas negativas, e como a vida é uma mistura de bem e mal, ela que deve ser harmonizada para manter a felicidade. Assim, devemos estar preparados para enfrentar tanto o sucesso quanto o fracasso, e moderando nossas expectativas para evitar decepções.
O estudioso do mundo antigo relata que a dor é frequentemente amplificada por nossas fantasias e percepções. Portanto, sabedoria consistiria em reconhecer que muitos dos nossos sofrimentos são apenas construções mentais, que convertem o medo da morte numa grande fonte de inquietação. Logo, a compreensão da morte como uma transição natural e inevitável pode ajudar a aliviar esse medo e, consequentemente, trazer paz de espírito durante a vida.
Plutarco argumenta que enfrentar a realidade com coragem e integridade é essencial para alcançar a tranquilidade mental.
Ele critica aqueles que evitam encarar as dificuldades e preferem ilusões confortáveis, destacando que a prática da virtude, como evitar mentiras e desonestidade, está em nosso controle e é fundamental para a paz interior.
O remorso causado por más ações corrói a alma, enquanto uma vida virtuosa, livre de desejos e atos corruptos, traz uma alegria duradoura e uma memória doce, comparável à serenidade que uma alma pura proporciona.
Por fim, Plutarco elogia a observação de Diógenes de que cada dia pode ser um grande banquete para o homem bom, e critica aqueles que só buscam alegria em festivais e prazeres externos, ignorando a beleza e as bênçãos da vida cotidiana.
Ele alega que a verdadeira alegria vem de viver sobriamente e em harmonia com o mundo natural, e que devemos abraçar a vida com gratidão, esperança e serenidade, ao invés de nos entregarmos a lamentações e preocupações.
Esta edição apresenta um ensaio selecionado de Plutarco a partir da versão em inglês do reverendo Arthur Richard Shilleto (1848 – 1894), publicada na Inglaterra em 1898.
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