Sobre a erudição e os eruditos

Por Arthur Schopenhauer

Sobre o livro

Esse texto é o Capítulo 21 “Ueber Gelehrsamkeit und Gelehrte.” (Sobre a erudição e os eruditos), seções 250 até 262 de Parerga und Paralipomena (Obras Acessórias e Suplementos) volume 2, publicado em 1851 por Arthur Schopenhauer.

No capítulo XXI, “Sobre a erudição e os eruditos”, Schopenhauer distingue radicalmente o verdadeiro pensador do simples erudito: enquanto o primeiro produz ideias originais e busca a verdade independentemente de recompensas externas, o segundo acumula conhecimentos, vive de citações e depende da instituição universitária, adaptando-se frequentemente por conveniência.

Ele critica a universidade por privilegiar a quantidade de estudantes em vez da qualidade, por estimular a especialização estreita e por formar acadêmicos submissos ao Estado, ao público e aos colegas.

A maior parte do saber humano, observa, permanece apenas nos livros; cada geração apreende apenas um fragmento dele, e a especialização excessiva transforma o estudioso num operário intelectual, virtuoso em um ponto mínimo e ignorante do restante.

O verdadeiro espírito superior, ao contrário, deve possuir formação ampla, visão de conjunto e independência moral.

Um dos eixos centrais do ensaio é a defesa do latim como antiga língua comum da erudição europeia, cuja abolição teria fragmentado o público intelectual e favorecido o provincianismo e o patriotismo científico, que ele considera uma corrupção da busca desinteressada da verdade.

O abandono das línguas clássicas, a tradução facilitadora e a comercialização do saber seriam sinais de decadência cultural e retorno à barbárie sob aparência de progresso técnico.

Como remédio, Schopenhauer propõe reformas rigorosas: sólida formação clássica, primazia filosófica na universidade, isenção do serviço militar para estudantes e restauração da dignidade acadêmica.

No conjunto, o ensaio é uma defesa da cultura humanística universal contra a mediocridade institucional, o nacionalismo e a especialização sem espírito. Sobre esta edição, tradução direta do alemão por Lucas Praxedes, do livro “Parerga und Paralipomena” volume 2.

Schopenhauer faz citações diretas a vários outros textos em seus idiomas originais, nesses casos, manteve-se a citação original e inclui-se a tradução em seguida entre parênteses.

Notas e referências incluídas que não são do Schopenhauer nem do Editor, mas da tradução, tem o indicativo da “, NT” nos parênteses.

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