Sobre a doutrina do Direito e a Política

Por Arthur Schopenhauer

Sobre o livro

Esse texto é o Capítulo 9 “Zur Rechtslehre und Politik.” (Sobre a doutrina do direito e a política), seções 121 até 134 de Parerga und Paralipomena (Obras Acessórias e Suplementos) volume 2, publicado em 1851 por Arthur Schopenhauer.

O capítulo 9, dedicado ao direito e à política, examina o fundamento moral do ordenamento jurídico e a função do Estado a partir de uma concepção ética que não deriva da religião nem de construções metafísicas positivas, mas da análise da ação humana.

Parte-se do reconhecimento de que o homem, movido pelo egoísmo e pela possibilidade real de injustiça, torna necessária a instituição do direito como limite externo às vontades individuais.

O direito não tem por finalidade tornar os homens moralmente bons, mas impedir que pratiquem injustiças; por isso, sua essência é negativa e coercitiva.

O Estado surge, assim, como instrumento racional de proteção contra a violência e a fraude, garantindo segurança e estabilidade por meio de leis e sanções, e distinguindo-se claramente da moral, que opera no âmbito interno da consciência.

Sobre esta edição, tradução direta do alemão por Lucas Praxedes, do livro “Parerga und Paralipomena” volume 2. Schopenhauer faz citações diretas a vários outros textos em seus idiomas originais, nesses casos, manteve-se a citação original e inclui-se a tradução em seguida entre parênteses.

Notas e referências incluídas que não são do Schopenhauer nem do Editor, mas da tradução, tem o indicativo da “, NT” nos parênteses.

Aviso de Conteúdo É importante advertir que, ao lado da análise filosófica sobre direito e política, o texto contém passagens marcadas por antissemitismo e misoginia, além de generalizações depreciativas sobre povos, religiões e grupos humanos.

Essas posições refletem preconceitos do século XIX e convicções pessoais de Schopenhauer, tais trechos devem ser lidos criticamente, contextualizados historicamente e jamais tomados como juízos legítimos sobre grupos reais.

Também aparecem formulações que podem sugerir determinismo psicológico ou avaliações hierarquizantes entre culturas, o que é reconhecidamente problemático. A leitura contemporânea exige distinguir entre as contribuições conceituais do autor, e opiniões que expressam preconceitos históricos.

Esse distanciamento crítico é essencial para que o estudo da obra não reproduza nem legitime tais vieses.

Embora haja um contexto histórico para a produção desse ensaio, isso não isenta o autor de críticas, pois Schopenhauer demonstrava não se deixar levar pelos preconceitos de seu próprio tempo em vários outros temas. A finalidade dessa tradução é acadêmica e filosófica.

Este é um ensaio adjacente às obras principais de Schopenhauer, pai do pessimismo filosófico e grande influenciador do existencialismo.

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