Sobre o livro
Livro 1 da série Seja santos apenas por um dia: hoje Existe uma pergunta que nenhum ser humano consegue ignorar para sempre: o que acontece depois da morte? E existe uma segunda pergunta, ainda mais urgente, que dela deriva: o que estou fazendo, hoje, com o tempo que me resta?
Este primeiro livro da série Seja Santo Apenas por um Dia: Hoje! parte precisamente dessas duas perguntas — e não as responde com evasivas nem com consolações baratas. Parte do que realmente está em jogo.
O que está em jogo é a salvação da alma.
A palavra “salvação” perdeu, para muitos cristãos contemporâneos, sua densidade real. Este livro a devolve.
Com fidelidade ao Magistério da Igreja Católica e ao ensinamento perene dos seus teólogos e santos, o primeiro capítulo percorre as verdades últimas com seriedade e misericórdia: o sentido católico de salvação — que não é apenas “ir para o céu”, mas participar da própria vida de Deus —, a realidade do céu, do purgatório e do inferno, o juízo particular que aguarda cada alma ao morrer e o juízo final que encerra a história.
Não como doutrinas assustadoras, mas como o horizonte de sentido que torna cada dia da vida presente uma oportunidade insubstituível de decisão. O tempo é o único bem que, uma vez gasto, não se recupera.
Mas se o que está em jogo é tão sério, quem pode ser santo?
A resposta da Tradição Cristã é desconcertante em sua amplitude: todos.
O segundo capítulo percorre a vocação universal à santidade — proclamada pelos Padres da Igreja, sistematizada por Santo Tomás de Aquino e solenemente definida pelo Concílio Vaticano II na Lumen Gentium — e desmonta, com argumentos sólidos e linguagem acessível, o mito de que a santidade é privilégio de monges, mártires ou grandes místicos.
Leigos, clérigos e consagrados são chamados à mesma perfeição da caridade, cada um no seu estado de vida, cada um no seu caminho.
A tensão histórica entre a santidade extraordinária — dos heróis e dos mártires — e a santidade cotidiana — do trabalhador, da mãe de família, do estudante — é enfrentada com honestidade: o extraordinário não está nas circunstâncias, mas na qualidade do amor com que se vive o ordinário.
“Ser santo hoje” não é uma metáfora motivacional; é a resposta concreta e possível que a graça torna disponível a cada batizado neste dia.
E é aqui que surge a questão mais delicada: e se eu não for capaz?
O terceiro capítulo enfrenta, sem rodeios, a relação entre a graça de Deus e a liberdade humana.
Entre o orgulho de quem acha que basta querer e o desespero de quem acredita que jamais conseguirá, a Igreja traçou — desde Agostinho, passando pelo Concílio de Trento, até o Catecismo atual — um caminho de precisão luminosa: Deus opera, o homem coopera; a graça não anula a liberdade, aperfeiçoa-a.
O mérito cristão não é pagamento de dívida, mas resposta de amor que Deus, na sua generosidade, transforma em caminho de vida eterna. E esta resposta não precisa ser dada para sempre de uma só vez — o que, aliás, está além das forças de qualquer ser humano. Precisa ser dada hoje.
As grandes promessas vagas — “a partir do próximo ano serei melhor”, “quando minha vida estiver organizada rezarei mais” — são, muitas vezes, a forma mais elegante de fugir da santidade. A graça não habita o futuro hipotético; habita o presente concreto.
Este livro não convida ao heroísmo dos eleitos nem à perfeição dos impecáveis. Convida à fidelidade humilde dos filhos de Deus que, conhecendo o que está em jogo, conscientes do chamado que receberam no Batismo e confiantes na graça que os sustenta, escolhem dar — hoje, agora, aqui — o único “sim” que está em suas mãos: o de hoje.
Apenas um dia. Hoje.
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