Sapecado, Cidade de Fronteira: Saga de uma família

Por Janete de Almeida Ferro

Sobre o livro

A crise econômica de 1929 só chegou realmente ao Brasil em ´32. Mas seus efeitos foram arrasadores. A classe média que mal nascia pelo interior de São Paulo desceu muitos degraus econômicos. Famílias que antes gozavam de conforto,segurança, agora passavam fome. A família de João Canal foi um dos milhões de exemplos: desempregado, sem perspectiva, não tinha como alimentar a mulher e os três filhos de 6, 4 e 2 anos de idade.

Neste contexto foi-lhe oferecido um emprego de gerente (único empregado) da Companhia de Força e Luz de Sapecado. As dificuldades eram muitas, as linhas de transmissão e de distribuição encontravam-se em estado precário, tudo tinha de ser refeito, mas esta não era realmente a maior dificuldade.

Sapecado era uma vila isolada do mundo, com uma estrutura social que em nada diferenciava de qualquer aldeia da era medieval. Imperava a lei do mais forte, do mais bruto, do mais perverso.

João não podia recusar a oferta, não havia alternativa para alimentar a família, mas sabia que a vida estaria em risco, teria de submeter-se às leis primitivas da cidade ou enfrentar cada um dos que dominavam a cidade.

O dilema era que seus valores eram muito diversos, ele nunca mataria alguém, nunca seria o sucessor dos que imperavam na vila.

Como poderia ele conviver com aquela gente, impor as regras da companhia que o contratara, manter a dignidade, sem se utilizar das mesmas regras de brutalidade que regiam a sociedade local?

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