Sambaqui

Por Urda Alice Klueger

Sobre o livro

Haveria mesmo uma criança crescendo dentro dela? Ao redor dela, diversas mulheres diziam que sim.cEla voltou a apalpar-se, tentando descobrir a criança, mas nada havia além do leve entumecimento dos seios. Onde estaria a criança?

Naquele lugar atrás dos seios onde bati uma coisa que Jogu gostava de escutar? Não, garantiram-lhe as mulheres. A criança estava mais para baixo, porque quando crescesse mais teria que sair de dentro dela, e não havia como sair de dentro do peito.

Do peito só entravam e saíam coisas como o medo, o consolo, a alegria, e outras coisas que não tinham nome, como aquela que sentia por Jogu e que até doía de tão boa.

No peito também havia aquela batida que ninguém sabia o que era, mas na qual diversas pessoas prestavam atenção, agora que Jogu estava sempre falando naquilo.

Também havia outras coisas que entravam e saíam das pessoas, como a raiva, mas ninguém ali acreditava que a raiva pudesse estar dentro do peito – era mais provável que viesse de um lugar que ficava mais ao lado da cintura.

Não era possível acreditar-se que uma coisa como a raiva pudesse habitar o mesmo lugar onde habitava a alegria, de tão diferentes que eram. E as crianças, mesmo não tendo absolutamente nada a ver com a raiva, ficavam, também, próximas à cintura, mas mais para baixo.

Sanira apalpou aquela parte do corpo e ali não havia diferença nenhuma – como podia ter uma criança ali?

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