Sala de Espera

Por Paulo H. C. Gonçalves

Sobre o livro

Sala de Espera

Em nome deo Deus, o Justo por excelência, inicio esta obra.

Após a segunda prece um grupo de homens ilustres foi conduzido até uma sala de espera a fim de aguardar o embarque em um gigantesco navio. – Acho que ficaremos aqui pelas próximas três horas. – Falou um senhor de barba negra.

– Eu tenho um amigo que me disse que o navio está sendo inspecionado devido ao roubo de uma joia. Esse amigo saiu do navio porque é um dos funcionários do marajá. Ele disse que foi revistado minunciosamente. Creio que mesmo os homens de bem, de vez em quando, passam por algum constrangimento.

Um homem narigudo perguntou: – E por que o roubo de uma joia atrapalha as rotinas de um navio?o. O que ela tem de tão importante. – A joia em si não tem grande valor. – Respondeu o homem de barba negra. – Dizem que é um presente simbólico para o califa.

O que é importante é de quem veio o presente. Tratasse de joia de um rei estrangeiro que faz aliança com o nosso país. – Eu não compreendo. – falou o homem narigudo. – Por que nos rebaixar para fazer acordo com os infiéis? Não seria melhor cada povo cuidar da própria vida?

Eu vejo os nossos governantes abrindo as portas para o mundo, como se o resto do mundo tivesse alguma importância. Todos nós sabemos que somos senhores em nossa casa, mas desrespeitados na casa alheia. O melhor é ficar com quem nos compreende e deixar os outros com suas idolatrias e desequilíbrios.

O homem de barba negra ar balançou a cabeça, negativamente e declarou? – Não, meu amigo, a diplomacia é importante. Se não fizermos acordos comerciais o nosso povo passará fome.

Somos ricos em especiarias e possuímos minerais, mas a nossa fortuna não seria nada se não tivéssemos para quem vender. Só para dar dois exemplos, no ano passado, negociei pedras preciosas com alguns países do ocidente e garanti o fornecimento de cereais para o norte do país.

Este ano estou trabalhando lhando na negociação de especiarias com países do oriente e garantirei animais para poderoso xeique. Comprará as especiarias quem der o maior valor… Não podemos nos isolar do mundo sob o risco de condenar o povo a fome.

– Quer dizer que o amigo é uma espécie de embaixador comercial de nosso país? – questionou o homem narigudo. – Na verdade não tenho qualquer emprego formal ou vínculo com o nosso governo, apenas possuo habilidades especiais que me ajudam em algumas negociações…

Quando a diplomacia não avança e o acordo comercial não é vantajoso eu sou chamado para atender esta ou aquela demanda. Em uma negociação não existe isso de “eu ganho e você perde”, mas o que deve existir é que ambos ganhamos com um bom negócio.

Se não for assim o prejuízo é para todos, pois um cliente insatisfeito jamais volta. – Você disse que possui habilidades especiais? Eu não entendo. Que habilidades especiais são essas?

O homem de barba negra se sentou confortavelmente em uma poltrona e assim falou: – Como ficaremos aqui durante horas não terei prepressa sa em revelar o meu segredo.

Se o amigo me permitir eu relatarei como amansei feras e dominei pessoas, conquistando a confiança de homens importantes da nossa comunidade. Pode não parecer, mas possuímos mais valor do que as pessoas percebem.

O homem narigudo sorriu, despreocupado, depois falou: – Confesso que estava sofrendo com a possibilidade de passar horas aqui, sem nada para fazer, mas a tua fala enche meu espírito de alegria, já que a oportunidade de uma boa conversa me garantirá alguns momentos de distração.

Todos ganham quando compartilham conhecimentos. CONTINUA NO LIVRO – Este livro é de contos no estilo das Mil e Uma Noites

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