Saberes Experienciais Docentes: As (auto)biografias de professores não–licenciados
Por Viana Patricio Barbosa NetoSobre o livro
Este livro é resultado da dissertação de mestrado defendida na Universidade Estadual do Rio Grande do Norte.
A pesquisa foi desenvolvida no Instituto Federal de Ciência, Educação e Tecnologia do Rio Grande do Norte, Campus Pau dos Ferros, onde buscamos, através das histórias de vida, compreender como profissionais não-licenciados vieram a se tornar professores.
De um universo de 26 professores não-licenciados, dentro dos critérios estabelecidos, foram selecionados 6 docentes, que realizaram a escrita de suas histórias de vida em uma perspectiva temática.
Utilizamos, assim, o delineamento metodológico (auto)biográfico e estabelecemos a narrativa individual escrita e os questionários biográficos temáticos reflexivos como os principais elementos do corpus de análise desta pesquisa.
Para entender este processo do tornar-se professor, a discussão é iniciada a partir do que é ser professor na perspectiva dos saberes atinentes ao ofício da docência; através dos saberes docentes, com ênfase nos experienciais, buscou-se visualizar o professor em sua constitutividade pessoal-profissional.
A ênfase que é dada aos saberes experienciais ancora-se nas compreensões que são apresentadas por Nóvoa (2010), Tardif (2014) e Josso (2000), que, em suas particularidades, percebem a importância das experiências de vida no processo de constituição/formação do ser professor.
Esta importância percebida encaminha o estudo às histórias de vida e à compreensão do valor heurístico das biografias através de Ferraroti (2010) e Goodson (2015).
Sendo, na sequência, apresentada a perspectiva formativo-investigativa que a escrita de si favorece, através de Nóvoa (2010), Souza (2006) e Passeggi (2011), mediante as nuances do movimento e do trabalho (auto)biográfico.
O status de saber que Tardif (2014) categoricamente dá à experiência é, neste estudo, ampliado e subdividido através dos saberes experienciais de referência e dos saberes experienciais da prática; a partir dessas duas categorias, foram analisadas as histórias de vida dos seis professores não-licenciados, sendo possível identificar através de suas falas e de seus contextos, as necessidades, oportunidades, desejos e motivações que os direcionaram à docência, bem como as dificuldades e superações que enfrentaram no início de sua prática, favorecendo assim a compreensão do “como me tornei professor?” Dentre outros resultados, ante o entendimento desse processo, pode ser percebido que o contexto tido pela expansão da rede federal de ensino favoreceu as oportunidades de direcionamento à docência, mas, ao mesmo tempo, tendo em vista a diversidade de oferta de um Instituto, trouxe alguns desafios para esses profissionais.
Pode-se, ainda, perceber que, para os não-licenciados, que não tiveram uma formação pedagógica, as suas referências do modus de ser professor, de agir e interagir em sala de aula, são tidas perante as experiências vivenciadas enquanto alunos, através da referência de seus professores, mas que também foram conquistadas mediante a própria prática docente no dia-a-dia com os alunos.
Foi possível, por fim, compreender, sobretudo, que tornar-se professor não é um ato concluso, é um processo continuum, que se estabelece na perspectiva de um eterno vir a ser de aprendizagens e ressignificações pessoais e profissionais.
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