RIO DE JANEIRO: A BATALHA DAS IDENTIDADES: Rio de Janeiro

Por Jonas ABREU

Sobre o livro

A partir das transformações ocorridas na arquitetura, na vida social e urbana da cidade do Rio de Janeiro durante as últimas décadas do século XIX e início do século XX, o livro analisa o processo de ressignificação do trecho compreendido pela Avenida Rio Branco e Praça Marechal Floriano, o principal eixo civilizatório da cidade.

Supondo que este sentido empregado ao local não está somente na transformação dos aspectos construtivos da avenida e da praça, mas nas reconstruções operadas no meio social, a análise assinala a importância e o uso deste espaço público na elaboração das experiências internacionalizantes da cidade, e ao mesmo tempo, o surgimento de uma cultura popular industrializada.

Os textos vão explorar tanto as reformas urbanas da “europeização” da avenida no cumprimento do ideal republicano do prefeito Pereira Passos quanto o projeto do empresário espanhol Francisco Serrador Carbonell, que construiu na Praça Floriano um complexo de cine-teatros com o objetivo de recriar na cidade a atmosfera da Broadway de Nova Iorque dos anos 1920.

Deveremos ter em mente então, que será neste perímetro do Rio de Janeiro que se dará a disputa por uma síntese civilizatória para o Brasil, concentrada nos signos da avenida e da praça e que deveriam caracterizar a cidade como símbolo da modernidade brasileira.

Sob essa circunstância seria desencadeada uma batalha de identidades que originaria sentidos coletivos de pertencimento para este espaço enquanto ocorriam as transformações arquitetônicas e as metamorfoses na paisagem cultural.

Nesta trajetória, pode-se perceber como esse eixo “avenida-praça” se desconecta de seus sentidos imperiais, absorve uma personalidade européia captada no projeto aristocrático de Pereira Passos, passa por certa “americanização” mais restrita à Praça Floriano e desemboca na valorização da mestiçagem em busca de uma experiência cultural “autenticamente brasileira”.

O fato é que a partir da virada dos séculos XIX e XX, superada a nostalgia monárquica, a cidade ganhou ares cosmopolitas, atraiu os investidores internacionais e recebeu enorme contingente de imigrantes, tornando possíveis as condições urbanas e mercadológicas para a recepção dos novos modelos transnacionais de arquitetura, arte e cultura.

Assim, temos em mente que este eixo avenida-praça só se torna símbolo nacional da esfera pública republicana quando seguindo o padrão da Belle Époque de inspiração francesa, constrói a Avenida Central e o “Pentágono das Artes” na Praça Floriano.

Posteriormente, após a Primeira Guerra Mundial, observado certo declínio da influência européia no mundo, mais do que a Avenida, é a Praça Floriano que vai se tornar um espaço popular, quando será conhecida por Cinelândia e se ajustará ao american way of life – o padrão do modo de vida americano, consolidado pelas salas de cinema de Serrador.

Estes novos parâmetros operados tanto a partir dos símbolos atrelados a Hollywood quanto aos da Broadway de Nova Iorque ajudaram a dar um novo sentido ao espaço, menos político – é verdade – mas capaz de manter ali a centralidade social e cultural da cidade, até a década de 1940.

A partir daí, a Cinelândia e a própria Avenida Rio Branco seriam superadas pela nova coqueluche urbana do Rio de Janeiro: Copacabana, “a princezinha do mar”.

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