Sobre o livro
Em seu segundo ano, a Revista Noturna continua com sua missão de abrir espaço para a literatura de horror escrita e protagonizada por mulheres. A temática central desta edição é “mancha”, simbolizando as marcas deixadas pelas expectativas e pressões sociais impostas a todas nós, mas também como subversão, um protesto daquelas que não se submetem ao padrão higienizado e dócil da sociedade patriarcal.
Trazemos cinco contos que exploram os diferentes significados e simbolismos de mancha. Em “Contenção”, de Lis Vilas Boas, acompanhamos uma mancha no oceano capaz de tensionar e desintegrar o emocional de uma mergulhadora.
Em “Juliana de azul”, de Maria Clara Lacerda, uma mancha no rosto é o estopim para o pesadelo de uma mulher que se vê diante do que parece ser o seu próprio duplo.
No conto “A intimação”, de nossa autora convidada Bethânia Pires Amaro, ganhadora do prêmio Sesc 2023, vemos nos indícios das manchas de sangue o desenrolar de um confronto surpreendente.
E, por falar em manchas de sangue, “Hematomancia”, de Vitória Vozniak, traz um novo olhar sobre a velhice através das marcas misteriosas aparecidas em um asilo. Para fechar, em “Por amor à Juju”, Morg.
Rocha nos conduz a um cenário enigmático em que os rastros da violência exercida com deleite são descritos por uma personagem nada convencional.
A Revista Noturna continua sendo um espaço de fortalecimento da literatura de horror escrita e protagonizada por mulheres. O caminho é árduo, mas seguimos: insubmissas, rebeldes, ostentando nossas manchas — e dispostas a atravessar o escuro.
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