Representações geográficas do semiárido brasileiro

Por Debora Coelho Moura

Sobre o livro

A maior parte do território Semiárido brasileiro situa-se no Nordeste se estende até o setentrional de Minas Gerais.

A região ocupa cerca 12% do território nacional (1,03 milhão de km²) e abrange 1.262 municípios brasileiros, onde aproximadamente 27 milhões de brasileiros/as (12% da população brasileira) residem.

Em número de municípios, os estados com maior quantidade são Bahia (278), Paraíba (194), Piauí (185), Ceará (175), Rio Grande do Norte (147) e Pernambuco (123). O Maranhão passou a fazer parte do “Semiárido Legal” em 2017.

Diante da diversidade meso e microclimática, do substrato rochoso, dos tipos de relevo, solos e vegetação, o Semiárido brasileiro tornou-se um mosaico ambiental. A vegetação está distribuída em 17 grandes unidades de paisagens, que por sua vez estão subdivididas em 105 unidades geoambientais. Predominantemente há Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica em áreas de core, transição e tensão.

As áreas secas do Semiárido (depressões/200-300m de altitude), apresentam clima com pluviosidade entre 300 a 500 mm/ano mal distribuída. Nas áreas úmidas (serras, chapadas e brejos/500-1300m de altitude), as chuvas podem atingir 1.500 a 2.000 mm/ano.

As serras, chapadas e brejos são zonas fisiográficas de condições microclimáticas úmidas. Nesses ambientes as áreas ficam expostas ao barlavento, tornando-se úmidas devido à concentração de umidade e condensação, resultando em no orografismo da atmosférica.

De acordo com estudos do Ministério do Meio Ambiente (BRASIL, 2005), as áreas com sinais extremos de degradação, os chamados “Núcleos de Desertificação”, estão em Gilbués (PI), Irauçuba (CE), Seridó, fronteira entre os Estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte, e Cabrobó (PE).

Especificamente o estado da Paraíba, segundo dados do Instituto Nacional do Semiárido de 2017, é o mais afetado proporcionalmente pelo processo de degradação ambiental, com terras inférteis e improdutivas, que ameaça 94% das terras em caráter irreversível.

Assim, essa complexidade natural e o contexto de usos e ocupações, carente de informações cientificas, originaram um mau manejo, especificamente do solo e vegetação, com práticas de inadequadas, pelo menos ao longo dos últimos 300 anos.

Dessa forma, o processo de desertificação que é próprio da área está sendo intensificado, com a degradação extrema dos solos, da vegetação, da biodiversidade e assim, da capacidade produtiva das atividades agrícolas.

Neste contexto, este e-book têm como tema diferentes abordagens da geografia do Semiárido brasileiro, distribuídas em seis capítulos inéditos confeccionados por pesquisadores da Universidade Federal de Campina Grande-PB. Boa Leitura.

Campina Grande-PB, os organizadores, 2020.

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