Sobre o livro
VOLUME 1 Capa original do lançamento, ano 1931. Reinações de Narizinho é um clássico da literatura infantil brasileira. Neste livro Lúcia, mais conhecida como Narizinho, visita o Reino das Águas Claras levando a tiracolo sua boneca de pano, Emília.
O livro é composto de várias pequenas histórias compostas em capítulos.
Algumas histórias são plenamente originais, enquanto outras são combinações de histórias e personagens já conhecidos, como a visita dos personagens do Mundo das Maravilhas, incluindo as princesas Branca de Neve, Cinderela e Aladim. As histórias deste Volume 1: 1. Narizinho 2. Uma vez… 3.
No palácio 4. O bobinho 5. A costureira das fadas 6. A festa do major 7. A pílula falante
“Numa casinha branca, lá no sítio do Pica-pau Amarelo, mora uma velha de mais de sessenta anos. Chama-se dona Benta.
Quem passa pela estrada e a vê na varanda, de cestinha de costura ao colo e óculos de ouro na ponta do nariz, segue seu caminho pensando: — Que tristeza viver assim tão sozinha neste deserto… Mas engana-se.
Dona Benta é a mais feliz das vovós, porque vive em companhia da mais encantadora das netas — Lúcia, a menina do narizinho arrebitado, ou Narizinho como todos dizem. “
“Uma vez, depois de dar comida aos peixinhos, Lúcia sentiu os olhos pesados de sono. Deitou-se na grama com a boneca no braço e ficou seguindo as nuvens que passeavam pelo céu, formando ora castelos, ora camelos. E já ia dormindo, embalada pelo mexerico das águas, quando sentiu cócegas no rosto.
Arregalou os olhos: um peixinho vestido de gente estava de pé na ponta do seu nariz. Vestido de gente, sim! Trazia casaco vermelho, cartolinha na cabeça e guarda-chuva na mão — a maior das galantezas!
O peixinho olhava para o nariz de Narizinho com rugas na testa, como quem não está entendendo nada do que vê.”
“Depois do jantar o príncipe levou Narizinho à casa da melhor costureira do reino. Era uma aranha de Paris, que sabia fazer vestidos lindos, lindos até não poder mais! Ela mesma tecia a fazenda, ela mesma inventava as modas.”
“Chegou a hora da festa. Dando a mão a Narizinho, o príncipe dirigiu-se à sala de baile. — Como é linda! — exclamaram os fidalgos lá reunidos ao verem-na entrar. — Com certeza é a filha única da fada dos Sete Mares… O salão parecia um céu bem aberto.
Em vez de lâmpadas, viam-se pendurados do teto buquês de raios de sol colhidos pela manhã. Flores em quantidade, trazidas e arrumadas por beija-flores. Tantas pérolas soltas no chão que até se tornava difícil o andar.
Não houve ostra que não trouxesse a sua pérola, para pendurá-la num galhinho de coral ou jogá-la por ali como se fosse cisco. E o que não era pérola era flor, e o que não era flor era nácar, e o que não era nácar era rubi e esmeralda e ouro e diamante.
Uma verdadeira tontura de beleza!” Para crianças de todas as idades.
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