REALIDADE DA PEDRA: (”Canoa” e outros poemas do cotidiano)
Por PAULO MORAESSobre o livro
poemas diversos sobre o cotidiano
EU TENHO UM MAGNÍFICO SILÊNCIO DE PEDRA
Eu tenho um magnífico silêncio de pedra
costurado com frieza na minha garganta,
e só as luzes dos pássaros dos meus olhos
reconhecem com as suas asas inertes,
o voo temerário da noite interrompida.
Vou pelo trajeto do dia incessante,
que derrama-se na direção do Leste,
como uma porta que vai fechando-se,
com as escuras chaves de ontem.
Ando com a lentidão das pisadas rasas.
Eu tenho muitas respostas prontas
que assaltam-me continuamente
com a circularidade branca da Lua.
Eu tenho agonias de cometas errantes,
que viajam como pandorgas noturnas,
riscando de fogo a curva do firmamento.
Estes é o ofício diário dos meus ossos.
É parte da minha singular ociosidade,
com circunstâncias de vozes desligadas,
motores silenciosos e ruídos de pneus
deslizando na mansidão do asfalto.
Eu agi em segredo e com meticulosidade,
e amarrei uma tempestade no meu quintal.
Eu colho com frequente total indiferença,
dúzias de tons de raios azuis petrificados,
destinados ao auxílio dos fiéis peregrinos
em busca de sussurros de iluminação celeste.
PAULO MORAES
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