Raízes e Frutos da Arte de João Pernambuco: Uma infinita viagem
Por José LealSobre o livro
Entre outras obras, José Leal é autor do clássico livro da nossa musicografia “João Pernambuco – Arte de um povo -”, editado pela FUNARTE em 1983.
Agora ele nos contempla com a brilhante obra “Raízes e Frutos da Arte de João Pernambuco” editado pelo IAPJP – Instituto de Arte Popular João Pernambuco.
Livro que nos convida para uma rica e perene viagem reconstituindo a trajetória de vida e obra do ferreiro, violonista e compositor pernambucano João Teixeira Guimarães. Filho da rendeira Teresa Teixeira Guimarães e do ferreiro Manuel Teixeira Guimarães.
A caminhada tem início em 1883, ano de nascimento João, transpassando 1947, data de seu falecimento e segue revelando o vigoroso alcance e desdobramento da arte musical de João Teixeira Guimarães.
O ponto de partida da viagem é Bebedouro de Jatobá, no sertão pernambucano onde nasceu o menino João, que aos 8 anos de idade começou a dar seus primeiros acordes no violão com violeiros e cantadores locais.
Em 1895, seguimos viagem quando João nos conduz em sua migração com a família do sertão para Recife.
Na nova morada, João trabalhou fazendo frente nas feiras e continuou se empenhando fazendo arpejos de desejos para realizar seu sonho de aprender a tocar violão com violeiros nas ruas da cidade, tornando-se mais tarde ferreiro de profissão.
Em 1904, João nos leva para o Rio de Janeiro, onde superando desafios, soube cultivar com maestria as raízes e frutos de sua arte musical nascida no sertão de Pernambuco e, por ser tão dedicado à cultura pernambucana, ficou conhecido como o genial músico João Pernambuco.
Passo a passo, esta viagem nos proporciona conhecer a história do “ferreiro de profissão, violonista e compositor por vocação”. Temperando o aço e a arte, esta caminhada nos revela o pioneirismo de João Pernambuco, que foi o primeiro músico a compor para violão solo no Brasil, tornando-se assim um célebre protagonista da história do violão brasileiro.
Mesmo sendo o criador de obras para violão solo, João Pernambuco manteve seu espírito agregador formando e participando de diversos grupos musicais como o famoso “Grupo Caxangá” de imenso sucesso no período de 1913 a 1918 no sul e sudoeste do Brasil, o lendário grupo “Os Oito Batutas”, bem como influenciou a formação dos “Turunas Pernambucanos”, de Jararaca e
Ratinho; “Turunas da Mauricéia”, do Patativa do Norte, Augusto Calheiros e do pernambucano Luperce Miranda; “Turunas Paulistas”, “Chorões Sertanejos” e “Bando de Tangarás”, de Noel Rosa, Braguinha, Almirante, Alvinho e Henrique Brito.
Contemporâneo de astros como Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Villa-Lobos, artistas com os quais brilhava na cena musical da época.
Amigo de renomados músicos com quem se apresentou, Pixinguina, Donga, Jacobdo Bandolim, Garoto, Dilermando Reis, Canhoto, Levino Albano da Conceição, Quincas Laranjeoras, Meira (Jayme Tomás Florence), o poeta Catullo da Paixão Cearense e tantos outros.
Guiados pela brilhante inspiração de João Pernambuco, esta viagem nos leva a conhecer o autor de centena de músicas com ampla diversidade de gêneros, entre elas a encantadora toada Luar do Sertão com letra de Catulo da Paixão Cearense e o magnífico choro Sons de Carrilhões, inspirado nos ruídos de carro de boi, gravado por um número incontável de músicos do Brasil e de 22 países de cinco continentes.
Em sua trajetória João Pernambuco expressou suas iluminadas obras de inigualável estética de composições com ricos desenhos melódicos, preciosas figuras rítmicas movidas por belos caminhos harmônicos.
O inusitado João Pernambuco compunha lindos poemas com notas musicais e isso lhe valeu o título de “Poeta do Violão”. Além disso, foi um exímio violonista que soube colocar a técnica instrumental a serviço da emoção ao interpretar o violão que ficou consagrado como a “Alma do Violão Brasileiro”.
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