Sobre o livro
Versos que respondem ao assim dos dias, “como ombros respondem ao sol (descascando), como dedos respondem ao banho (enrugando), como bocas respondem ao beijo (existindo), como o amor responde à morte: visitando”. Assim Helena Martins define o novo livro de poesia de Roberto Corrêa dos Santos.
Se os poemas muitas vezes são duros, como há de ser no “terceiro mundo” da “penúria e da truculência”, eles não deixam de vislumbrar o amanhã, quando o poema “explodirá em ramos de outra flor: tão bela/ quanto bondosa”.
À aspereza da vida corresponde o trabalho com a linguagem, afinal “o verso no Brasil é difícil:/ a língua por cá toda ela varia/ escapa/ é arisca como certos peixes/ áspera como certas plantas./ E espeta.” Relação com a língua que atravessa o corpo e sua conflitante finitude, pois “Sem treinos de morte, emudeço:/ silencio o corpo: mato o verso”.
Observando e implicando os precipícios sociais e existenciais, seus “versos fazem/ as mentes voarem do céu ao inferno”. Duplicidade que, como nota Helena Martins, percorre todo o livro, em versos que se sentem jovens e indizivelmente velhos, que penetram tudo tal faca e ficam de fora a olhar, que caem, mas descobrem que o chão não era tão duro como se pensava.
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