Sobre o livro
Q Absurdo!
é uma peça de dramaturgia que decalca textos do Teatro do Absurdo, categoria intitulada primeiramente pelo produtor, argumentista, jornalista, adaptador, tradutor, crítico, acadêmico e erudito professor de arte dramática, o húngaro Martin Esslin, para reunir obras das décadas de 50 e 60 que expressam um ponto de vista similar no tocante a certos aspectos absurdos da condição humana.
Tais peças são dramatizações niilistas que substituem, sob forte influência surrealista, o senso coerente pelo absurdo com o fito de delatar a futilidade da existência. Nelas, abandona-se a linguagem racional para dar lugar a clichês e falas banais em enredos cíclicos e excessivamente expansivos.
Em lugar da ação lógica e consecutiva, emergem atividades repetitivas, sem sentido e sem conclusão a partir de conflitos para os quais não se apresentam soluções.
Motivações psicológicas e ou realistas dão lugar a comportamentos automáticos, frequentemente inapropriados às situações que, embora aludam a assuntos de grande seriedade, são apresentadas com inusitadas matizes cômicas e irônicas, alternadas com imagens horríveis, grotescas ou trágicas.
Em Q Absurdo!, reúnem-se em cena alguns consagrados autores do Teatro do Absurdo: Eugène Ionesco, Fernando Arrabal, Jean Genet, Samuel Beckett e o precursor do gênero, Luigi Pirandello, todos convocados pelo autor brasileiro Qorpo Santo (considerado por alguns como um anacrônico antecipador deste tipo de dramaturgia) com a intenção de debaterem soluções para a situação absurda de inação que assola o Brasil no período que corresponde à pandemia do COVID e o desastrado governo de Jair Bolsonaro.
Um último personagem, o Escriba Sentado (tirado da estátua egípcia de 2500 a.C. que se encontra no Louvre), junta-se ao sexteto a fim de registrar tudo quanto é deliberado.
Como é de se esperar, dadas as características dessa corrente teatral, a ação e as próprias resoluções dão lugar à inércia e à falta completa de perspectivas diante do absurdo imposto pela realidade, delatando, com refinada ironia, o imobilismo que parece ter se apossado dos brasileiros e de suas instituições.
Ainda assim, temas pungentes da atualidade nacional e mundial são debatidos em meio a inúmeras citações metalinguísticas que envolvem as obras dos envolvidos.
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