Psicologia do Bolsonarismo: Por que tantas pessoas se curvam ao mito?
Por Diogo BogéaSobre o livro
Fundamental para entender o momento atual!
O que leva tantas pessoas a se curvarem diante de um “líder” político numa cega devoção e em total idolatria? Essa é uma pergunta que foi feita muitas vezes na história humana.
No Brasil contemporâneo, com a chegada ao poder da religião bolsonarista essa se torna mais uma vez uma questão política urgente. Mas também, principalmente, uma questão psicológica do maior interesse. Como explicar a subserviente e satisfeita adoração do “gado do cercadinho” a seu “mito”?
A questão ganha um interesse propriamente psicológico, dado que o “líder” em questão, o “mito”, não apresenta nenhuma das qualidades tradicionalmente reconhecíveis como dignas de alguma idolatria: não é particularmente inteligente, não tem o “dom da palavra”, não é um vitorioso chefe militar, não expõe uma vida exemplar no caminho sacerdotal-religioso, não apresenta grandes projetos – ilusórios que fossem – nem de dominação internacional, nem de desenvolvimento nacional.
Como explicar, então, seu tão intenso poder de atração?
Em nome da seita bolsonarista os fiéis atacam amigos e familiares; defendem com a mesma veemência discursos contraditórios; aderem a projetos sociais e econômicos que contrariam seus próprios interesses; dispensam resultados concretos em termos de melhorias econômicas ou estruturais para manter acesa a chama da sua fé; e em tempos de pandemia, entregam-se voluntariamente à morte, sacrificando-se pela palavra do “mito” – entre tratamentos precoces mortíferos e o desprezo completo por qualquer precaução (da máscara à vacina).
Como explicar que seus parentes, amigos e vizinhos que talvez em outros momentos tenham te tratado com a devida cordialidade se voltem agressivamente contra você ao perceber que você não compactua com as ideias do “mito”?
Como explicar que pessoas muito bem formadas em nossas universidades – professores, engenheiros, advogados – recusem vacinas, acreditem em versões alternativas delirantes da História do Brasil e do mundo e tomem as fake news mais toscas como as mais puras realidades?
Como explicar que médicos rejeitem vacinas e invistam em medicamentos que os próprios laboratórios fabricantes (haveria alguém mais interessado em promovê-los?) já desacreditaram para o tratamento da covid?
São essas as intrigantes questões que o Doutor em Filosofia Diogo Bogéa investiga em seu novo livro. Com base em teorias psicanalíticas de Freud e MD Magno e um vigor nietzschiano, Bogéa, que é professor de Filosofia e Psicanálise da UERJ, faz uma original abordagem do bolsonarismo sob o ponto de vista psicológico.
Sumário
Tudo isso que tá aí… 1. Pedagogia da frustração 2. O mais engenhoso dos artifícios 3. “Um perpétuo e irrequieto desejo de poder” 4. O narcisismo da massa 5. Negação da realidade 6. Fake News 7. “O inimigo” 8. Moralismo 9. Terrivelmente cristão 10. O gado – neo-etologia 11. Uma espécie violenta e tribal 12. Quando acaba a saliva 13. A medida da felicidade não é objetiva 14. Ressentimento 15. Ética da afirmação 16. Genocídio 17. E daí?
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