PSICANÁLISE: EGO, ID E SUPEREGO

Por Nelson Valente

Sobre o livro

A psicanálise, a semiologia e a teoria da comunicação podem ser sistematizadas e integradas de uma maneira metódica e ao mesmo tempo prática no cotidiano da psicanálise.

Este trabalho buscará fundamentar uma operacionalidade da psicanálise, com contribuições da semiologia e da teoria da comunicação, com vistas a uma estratégia terapêutica que possibilite cobrir os níveis da ação analítica, criando modelos que permitam reorientações pragmáticas no sentido de facilitar, ao analista, uma visão mais abrangente da problemática que lhe é exposta pelo paciente.

A compulsão à repetição, localizada a partir das estruturas narrativas, possíveis de serem detectadas e traduzidas operacionalmente através do material fornecido pelo paciente ao analista em um sistema de signos passível de codificação e consequente sistematização.Em sua vida e obra, Freud em verdade observou a recomendação inscrita no templo de Apolo, em Delfos, “Conhece-te a ti mesmo” e, desejava nos ajudar a fazer o mesmo.O método catártico seria um método Semiótico e terapêutico que consistia em induzir os pacientes a recordar, através da associação de ideias sob hipnose, a ocasião e o motivo dos sintomas relacionados com a histeria.

A “catarse” era obtida, portanto, com a exteriorização dos traumas inconscientes implicando o afastamento das “fantasias perturbadoras” (os “sintomas”) atuantes no plano da consciência.O tratamento de Anna O.

por Breuer foi o primeiro exemplo moderno da psicoterapia profunda por um longo período de tempo. Através do tratamento catártico, Breuer passou a hipnotizá-la e ela lhe falava sobre as visões que a perturbavam, método que a deixava mais calma e aliviada.

A partir de então, médico e paciente passaram a rastrear o início de cada sintoma e, um a um, eles foram desaparecendo.O leitor poderá ficar surpreso de saber, por exemplo, que Freud jamais usou em seus escritos as palavras EGO, ID E SUPEREGO.

Ele preferia usar palavras e expressões comuns do dia a dia.Suas obras em alemão estão escritas numa linguagem que as torna compreensíveis para o público em geral.

Em inglês, seus termos receberam uma aura de linguagem técnica pela utilização de palavras latinas, quando palavras mais simples teriam bastado. Das Ich, das Es e das Über-ich, significam o Eu, o “aquilo” e o Supra-Eu ou “aquilo que está acima de mim”.

Estes termos possuem sentido mais pessoal que os insípidos Ego, Id e Superego.Outro erro lamentável foi a eliminação em inglês da palavra alma, substituindo-a por Mente. Por exemplo, Seelentätigkeit que significa atividade da alma, foi traduzida por “atividade mental”.

O intuito era tornar Freud mais “científico”. Isto pode ser parcialmente atribuído a uma deficiente tradução das obras de Sigmund Freud.Freud escreveu seus livros em alemão, num estilo tão eloquente que mereceu o Prêmio Ghoethe de literatura de 1930.

Muitas de suas expressões originais, porém, não encontraram pronta tradução no idioma inglês.Um dos problemas disseminados na versão inglesa de Freud é a preferência por palavras gregas quando o próprio Freud havia escolhido palavras simples, de alemão corriqueiro, para descrever suas ideias.

O grande exemplo dessa tendência são os termos Id, Ego e Super-Ego. Em alemão Freud utilizara os termos “Es”, “Ich” e “Über-Ich”. Em alemão Es é o pronome neutro, que ganha maior sentido quando se sabe que em alemão uma criança (das Kind) é tratada como Es.

Assim, para o leitor alemão, o Es (o nosso ‘Id’) ganha uma conotação especial, sendo a maneira como tratam, e foram tratados, as crianças pequenas – onde teoricamente o “id” seria a fonte de os atos…Aquilo que nos acostumamos a chagar o “Ego” era chamado por Freud pelo singelo nome de “Ich” o pronome ‘eu’ em alemão.

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