Psicanálise: De Bion ao prazer autêntico (Série Escrita Psicanalítica)

Por Cecil José Rezze

Sobre o livro

Dostoiévski diz, por meio de um dos personagens de Os irmãos Karamazov: “Somos assim: sonhamos o voo, mas tememos a altura. Para voar é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Porque é só no vazio que o voo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Mas isso é o que tememos: o não ter certezas”.

A leitura do livro de Cecil Rezze testemunha a verdade desse pensamento.

Encontramos nele questões e relações importantes entre conceitos fundantes, invariantes, que permitem reconhecer que estamos em área psicanalítica, ao mesmo tempo em que rompem a mesmice do já consagrado, provocando insaturação num campo sempre em perigo de sofrer calcificações.

Surgem daí propostas como a das frestas necessárias ao trabalho em áreas de não pensamento, o valor de teorias fracas na clínica, os fantasmas como recurso para aproximação ao não conhecido… São ideias valiosas na medida em que, provindo da clínica, evocam nosso trabalho cotidiano.

A partir da teoria do prazer autêntico, que dá título ao livro, o autor subverte o paradigma da dor, referência onipresente nas teorias psicanalíticas, indo além do ponto que Bion, o autor privilegiado em todos os textos, alcançou.

Julio Frochtengarten Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo

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