Proslógio

Por Anselmo de Cantuária

Sobre o livro

Diz a hagiografia de Santo Anselmo da Cantuária (1033- 1109) que ele era dotado de grande discernimento dos espíritos, de tal maneira que parecia ler os corações das pessoas com notável finura d’alma e precisão, valendo-se do invulgar talento de observador dos comportamentos humanos.

Ocorre que a vocação de Anselmo não era apenas para vigílias, jejuns, orações e silêncio. Nele, o místico e o asceta são inseparáveis do filósofo e do teólogo.

Não por outro motivo, o dístico de sua vida intelectual (“fides quaerens intellectum”, “a fé que busca entender”) é o ponto de inflexão daquilo que veio a ser a Escolástica nos três séculos seguintes, tempo de extraordinário desenvolvimento nas artes, na ciência, na filosofia e na teologia.

O Proslógio é a mais famosa obra de Santo Anselmo.

As repercussões que o chamado “argumento ontológico”, nela presente, teve ao longo dos séculos seguintes, na pena de grandes filósofos, apontam para a sua inegável importância: São Boaventura, Santo Tomás, Duns Scot, Descartes, Malebranche, Espinosa, Leibniz, Baumgarten, Kant, Hegel, Schelling e outros se debruçaram sobre o referido argumento, alguns acolhendo-o, outros refutando-o.

O texto bilíngüe do Proslógio vem acompanhado por dois apêndices (também bilíngües) que condensaram a polêmica em torno da inauguração do argumento ontológico: a objeção tecida pelo monge Gaunilo em seu Liber pro insipiente e a tréplica subseqüente de Santo Anselmo, que nos ajuda a aprofundar ainda além a compreensão de um dos mais famosos argumentos da história da filosofia.

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