Porcos a voar

Por Ernesto Ribeiro

Sobre o livro

Facto consumado

Nada nos pesa mais senão a circunstância do facto consumado. Todo o nosso registo é passado e, nessa relação, toda a prova de vida reproduz um facto/acto que se viveu. Na inapelável reprodução da existência há, como maior ou menor incidência, um registo cronológico das nossas acções.

Seja no insondável mistério universal, onde toda a acção pressupõe um registo prévio da partícula, seja na nossa vivência mais comum, o passado, o nosso particular passado existencial não se oculta.

É certo que o podemos sonegar, manipular, circunstanciar, justificar, mas em face da sua objectividade, é difícil dissimulá-lo a todo o tempo, no engodo de toda a gente.

O registo dos nossos actos é uma marca profunda da nossa condição de vida. Sem o registo, nos tempos modernos, não temos “existência”. Todos nos sentimos associados a um número, a um conjunto de caracteres, a um registo fotográfico, ou a uma impressão da nossa irreversível condição existencial.

Nesse registo a prova é inegável, e nesse quadro de existência referencial está impresso o nosso ADN. O facto, a circunstância do facto consumado é uma verdade impressa no registo existencial.

Tal como na Internet onde tudo aquilo que lá se coloca jamais se pode apagar (quanto muito ocultar), por registo de impressão digital, também na vida de cada um e de todos, nos é impossível fugir ao destino do facto consumado.

Qualquer facto é em si consumado, senão não o seria um acto plenamente materializado. Poderia haver um registo de intenção e não um facto, uma mera tentativa, mas não o facto consumado. Um facto é inapelável na sua assunção de acto. Está feito, está registado, está materializado.

O mundo quântico dá-nos um referencial autêntico de como a realidade se materializa. É a consciência que determina a ocorrência da realidade. Sem a intervenção da consciência existe apenas um universo em potência.

É a consciência, como ponto de observação, que determina o comportamento das partículas na sua relação com a atenção e intenção. Nada escapa à grande mente universal, ao ponto central da consciência.

Podemos iludir-nos na nossa presunção do engano, mas em tudo existe um registo, como formação irreversível dos nossos actos, e dos factos em si materializados.

Podemos fazer de conta que os nossos actos, os nossos processos, as nossas intenções, se subjazem a um universo muito redutor de conhecimento, mas um dia existe em que esta grande massa de consciência colectiva os traz à tona!

Podemos enganar muitos durante muito tempo, mas em si o engano é uma prova da presunção do inefável quando comparado com a declarada verdade do facto. O facto, para o bem ou para o mal, seria sempre consumado numa aferição de vontades e intenções.

Mesmo esse registo é indissociável a todos os nossos actos, e mesmo que seja humanamente impossível aferirmos a intenção de cada um, na consumação de tais factos, há uma mente universal que tudo perscruta e regista nos anais da ocorrência.

Por isso meus caros, é na própria fórmula universal que a angústia do facto consumado se torna evidente aos olhos de quem procura, sabendo-se que a máxima de que “quem procura sempre alcança” é em si um facto (previamente) consumado porque a verdade é como o azeite, vem sempre ao cimo!

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